Rússia admite que guerra na Ucrânia continuará até atingir os seus objectivos
A Presidência russa (Kremlin) admitiu hoje que a guerra da Rússia contra a Ucrânia vai continuar e que não atingiu todos os seus objetivos no país vizinho em quatro anos de conflito.
"Na sua totalidade, é verdade que os objetivos não foram atingidos. Por isso, a operação militar especial continua", disse Dmitri Peskov, porta-voz da Presidência russa, na sua conferência de imprensa diária por telefone.
Peskov concordou, por isso, com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que sublinhou que Moscovo não conseguiu o que pretendia quando lançou a sua invasão em larga escala em 24 de fevereiro de 2022.
Contudo, o porta-voz russo considerou que o exército russo atingiu "o objetivo principal, que era garantir a segurança das pessoas que vivem no leste da Ucrânia e que estavam em perigo de morte".
Hoje, quando se completa quatro anos de guerra, Peskov lamentou que a campanha militar contra Kiev se tenha "tornado, após a interferência direta no conflito dos países da Europa ocidental e dos Estados Unidos, num confronto muito maior entre a Rússia e os países ocidentais, que perseguiram e ainda perseguem o objetivo de esmagar" o regime de Moscovo.
Ao mesmo tempo, o porta-voz afirmou que, embora "a operação militar especial continue, a Rússia continua aberta a alcançar os seus objetivos por meios políticos e diplomáticos".
"Em qualquer caso, os interesses russos serão garantidos", afirmou.
Peskov sublinhou que a esperança de alcançar uma solução pacífica na Ucrânia, "desde o início" do conflito, nunca foi abandonada. Entretanto, culpou o Ocidente pelo processo de paz abortado, que havia sido iniciado em março de 2022, e pelo "regresso ao rumo militar".
"Continuamos os nossos esforços pela paz. A nossa posição é clara e consistente. Agora tudo depende das ações do regime de Kiev", disse.
Em relação à quarta ronda de negociações mediadas pelos Estados Unidos, afirmou que ainda não há um acordo final sobre as datas e o local da reunião, embora tenha manifestado confiança de que "o trabalho vai continuar".
Peskov enfatizou ainda que a sociedade russa sofreu "mudanças fenomenais" nestes quatro anos, que resultaram numa consolidação do apoio ao presidente Vladimir Putin, embora as sondagens independentes indiquem que a maioria dos russos deseja um fim urgente das hostilidades.
"Os olhos da Rússia abriram-se para muitos processos internacionais, para como estabelecer relações com muitas organizações internacionais e capitais", afirmou.
Os meios de comunicação independentes publicaram hoje que o exército russo perdeu mais de 200 mil homens em quatro anos de conflito, que dura há mais tempo do que a participação da União Soviética (URSS) na Segunda Guerra Mundial (1941-1945).
O Kremlin anexou unilateralmente quatro regiões ucranianas em 2022, mas o exército russo não conseguiu conquistá-las, uma vez que Kiev ainda controla mais de um quinto de Donetsk e um terço de Kherson e Zaporijia.