Rubio na cimeira dos países das Caraíbas com Venezuela, Cuba e Haiti na agenda
O chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, cujos pais são de origem cubana, marca presença na quarta-feira numa cimeira das Caraíbas e vai defender o reforço da cooperação entre os Estados Unidos e a região, anunciou hoje Washington.
Num comunicado, o Departamento de Estado norte-americano indicou que a cimeira dos chefes de Governo da Comunidade das Caraíbas (Caricom), que se realiza na quarta e quinta-feira no arquipélago de São Cristóvão e Nevis, deverá ser dominada pela situação na Venezuela.
Na nota informativa, o porta-voz adjunto do Departamento de Estado norte-americano, Tommy Pigott, indicou que a cimeira será uma oportunidade para Rubio, que já se deslocou várias vezes às Caraíbas no último ano, abordar as prioridades do Presidente Donald Trump "em matéria de combate à imigração ilegal e aos tráficos ilícitos, nomeadamente de droga".
Os Estados Unidos realizaram dezenas de ataques contra embarcações que alegadamente transportavam, segundo Washington, droga nas Caraíbas e no Pacífico, provocando mais de uma centena de mortos e levantando questões quanto à legalidade destas operações à luz do Direito internacional.
Estas operações, que implicaram um robusto destacamento militar dos Estados Unidos nas Caraíbas, visaram também intensificar a pressão sobre o regime venezuelano então liderado por Nicolás Maduro, que Washington acusa de estar envolvido no narcotráfico.
Na cimeira da Caricom, as relações com a Venezuela deverão estar no centro das discussões, após a captura e detenção do líder venezuelano Nicolás Maduro numa operação militar norte-americana, a 03 de janeiro, em Caracas.
A administração norte-americana liderada pelo Presidente Donald Trump iniciou uma normalização das relações com Caracas e com a presidente interina, Delcy Rodríguez, e procura assegurar o controlo do petróleo venezuelano, do qual dependem muitas ilhas da região, destacando-se o caso de Cuba, sob embargo norte-americano e privada do crude oriundo da Venezuela.
O portal noticioso norte-americano Axios, citando três fontes anónimas conhecedoras do processo negocial, noticiou recentemente que Rubio conduziu pessoalmente negociações secretas com o neto de Raúl Castro, numa altura em que os Estados Unidos intensificam a pressão sobre Cuba.
Washington não confirmou a informação.
Trump considera que Cuba é uma "nação falida" e exorta Havana a concluir um acordo com os Estados Unidos, ao mesmo tempo que rejeita a hipótese de uma operação destinada a derrubar o regime.
Desde janeiro, os Estados Unidos impõem um bloqueio energético a Cuba, invocando a "ameaça excecional" que esta ilha caribenha, situada a apenas 150 quilómetros da costa da Florida, representaria para a segurança nacional norte-americana.
A violência dos gangues no Haiti será outro dos temas em debate no seio da cimeira da Caricom.
O Haiti enfrenta há vários anos a violência de grupos criminosos organizados, responsáveis por homicídios, violações, pilhagens e raptos.
Perante o receio de um vazio institucional, Washington manifestou abertamente apoio ao primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, atualmente a única autoridade no poder após o fim do Conselho Presidencial de Transição, e enviou recentemente três navios de guerra para o Haiti.
Os Estados Unidos procuram concluir a criação de uma Força Internacional de combate aos gangues na ilha.