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Delcy Rodríguez afasta do Governo mulher de figura próxima de Maduro

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Foto EPA

A presidente interina da Venezuela anunciou hoje que a saída do Governo Camilla Fabri, mulher de Alex Saab, figura próxima e de confiança do ex-presidente Nicolás Maduro.

"Nomeei Rander Peña vice-ministro da Comunicação Internacional. (...) Agradecemos a Camilla Fabri de Saab pelo trabalho que realizou", escreveu Delcy Rodríguez na plataforma Telegram sobre a mulher de Alex Saab, que dirigia o Ministério da Indústria.

Detido em 2020 em Cabo Verde e extraditado em 2021 para os Estados Unidos, que o acusavam de desviar ajuda alimentar em benefício de Maduro, Alex Saab foi trocado em dezembro de 2023 por dez norte-americanos presos na Venezuela.

A libertação de Saab foi classificada na época por Maduro como um triunfo.

No início de fevereiro, os meios de comunicação noticiaram a detenção de Alex Saab a pedido da polícia federal de investigação (FBI), enquanto uma fonte próxima do poder anunciou que Saab estava "em sua casa", sem dar pormenores.

Alex Saab aproximou-se do executivo venezuelano durante os últimos anos do mandato do falecido antigo presidente Hugo Chávez (1999-2013) e passou a gerir uma vasta rede de importações para o Governo de Nicolás Maduro.

Era considerado um intermediário fundamental do poder, numa altura em que o país tentava adaptar-se às sanções internacionais.

Era responsável, nomeadamente, pelas importações de produtos destinados ao programa social de venda subsidiada de alimentos, conhecido como Clap, manchado por acusações de corrupção.

Delcy Rodriguez, ex-vice-presidente de Nicolas Maduro, assumiu o poder após a captura deste último em 03 de janeiro pelo exército norte-americano.

Sob pressão de Washington, Rodríguez fez várias mudanças, adotando uma lei de amnistia para libertar presos políticos e reformando o setor petrolífero, que foi aberto ao setor privado.

Entretanto,a chefe da diplomacia da UE anunciou que vai propor o levantamento das sanções do bloco contra Delcy Rodríguez, saudando "os passos que têm sido dados" na libertação de presos políticos.

Em conferência de imprensa no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Bruxelas, Kaja Kallas disse que tem visto, da parte das autoridades interinas da Venezuela, passos positivos em relação à Europa, designadamente "a libertação de presos políticos europeus".

Pelo menos 65 presos foram libertados na Venezuela ao abrigo da lei de amnistia recentemente promulgada, segundo um balanço publicado pela organização não-governamental (ONG) Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos.

De acordo com um balanço publicado por um dos responsáveis da ONG, Gonzalo Himiob, desde a entrada em vigor da lei, há três dias, sete presos foram libertados na sexta-feira, 15 no sábado e 43 no domingo.

"Continuamos a verificar outros casos", afirmou.

A justiça venezuelana concedeu liberdade a 379 presos políticos após a aprovação da lei.

Aprovada e promulgada na quinta-feira, esta lei de amnistia foi prometida sob pressão dos Estados Unidos pela Presidente interina venezuelana, que iniciou uma normalização das relações com Washington, cortadas desde 2019, desde que assumiu o poder após a captura de Maduro.