Libertados 65 presos políticos na Venezuela ao abrigo da nova lei de amnistia
Pelo menos 65 prisioneiros foram libertados na Venezuela ao abrigo da lei de amnistia recentemente promulgada, segundo um balanço publicado hoje pela organização não-governamental (ONG) Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos.
De acordo com um balanço publicado por um dos responsáveis da ONG, Gonzalo Himiob, desde a entrada em vigor da lei, há três dias, sete prisioneiros foram libertados na sexta-feira, 15 no sábado e 43 no domingo.
"Continuamos a verificar outros casos", afirmou.
A justiça venezuelana concedeu liberdade a 379 prisioneiros políticos após a aprovação da lei.
Aprovada e promulgada na quinta-feira, esta lei de amnistia foi prometida sob pressão dos Estados Unidos pela Presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, que iniciou uma normalização das relações com Washington, cortadas desde 2019, desde que assumiu o poder após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro durante uma operação militar norte-americana, em 03 de janeiro, em Caracas.
No total, 1.557 detidos solicitaram a sua libertação ao abrigo da lei, segundo avançou Rodríguez numa conferência de imprensa.
No entanto, vários especialistas questionam o alcance da lei de amnistia.
Centenas de detidos, como polícias e militares envolvidos em atividades consideradas terroristas, podem ficar excluídos.
Mais de 200 presos políticos estão em greve de fome em protesto, sob o argumento que a nova lei não é aplicável aos seus casos.
A medida não cobre inteiramente o período de 1999 a 2026, que corresponde às presidências de Hugo Chávez (1999-2013) e do seu sucessor, Nicolás Maduro.
No sábado, o presidente do parlamento da Venezuela e irmão da Presidente interina, Jorge Rodríguez, afirmou que as autoridades estão a considerar conceder "medidas de clemência" ou indultos presidenciais a pessoas excluídas da lei de amnistia.