Um assassinato de Caráter na Luz
Lidar com racismo não admite fraquezas! Deve ser combatido com a força da lei e da ética!
Contudo, quando a luta contra a discriminação serve de arma de arremesso ou escudo de proteção de pseudo-estrelas, estamos perante uma perversão perigosa de uma causa sagrada. O que Mbappé fez ao acusar Prestianni de proferir insultos racistas não é apenas um erro, é, perante as evidências, uma difamação gravíssima que o SL Benfica e o jogador devem levar às últimas instâncias judiciais. Não se limitou a dizer que ouviu alguma coisa. Afirmou categoricamente ter ouvido a palavra “mono” (macaco) cinco vezes. Esta precisão é, ironicamente, a prova da sua mentira.
O jogo decorreu num estádio com 66 mil pessoas. Quem conhece a acústica de um estádio sabe que o ruído de fundo é ensurdecedor. Mbappé encontrava-se a uma distância considerável do lance. Como é que os seus ouvidos captaram o que Camavinga, que estava a escassos centímetros de Vinícius, não esboçou ter ouvido?
O contacto verbal entre os jogadores foi um ápice, dois segundos, tente articular a palavra “mono” cinco vezes seguidas. É impossível encaixar essa repetição no intervalo de tempo visível nas imagens. Quem afirma ter “contado cinco” não está a relatar um facto, está a mentir!
Apenas o Prestianni, pode saber o que disse. Mas, num Estado de Direito, conceito que a UEFA frequentemente ignora em prol do espetáculo e do marketing, a presunção de inocência é o pilar fundamental. Não se pode destruir a carreira de um jovem de 19 anos com base no “ouvi dizer” de um adversário que a física prova estar a mentir.
Lançar o rótulo de “racista” sem uma única prova é um assassinato de caráter. Prestianni está a ser condenado no tribunal da opinião pública mundial por uma mentira. E essa mentira, pela sua gravidade e alcance, deve ser tratada nos tribunais civis e criminais. A verdade não é um acessório de marketing.
Nuno Freitas