Dois adolescentes detidos em França por planearem ataque 'jihadista'
A Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT) francesa anunciou hoje a detenção de dois adolescentes adeptos do 'jihadismo' islâmico, um dos quais admitiu planear uma "ação violenta" contra "um centro comercial ou uma sala de espetáculos".
O alegado líder da dupla, acrescentou a PNAT, planeava roubar uma arma de fogo e "admitiu também ter adquirido produtos químicos para realizar testes de combustão em sua casa".
Os dois menores, de 16 anos de idade, foram detidos na terça-feira e levados sob custódia.
A PNAT solicitou que os menores sejam acusados de "associação criminosa para cometer crimes contra a população".
Solicitou ainda que um deles, o alegado líder, permaneça em prisão preventiva e o outro seja colocado sob supervisão judicial.
O segundo menor, "informado" dos "planos" do seu cúmplice, é suspeito de ter contribuído para reforçar as suas crenças radicais violentas", refere ainda a PNAT.
O procurador antiterrorismo, Olivier Christen, disse à AFP no final de 2025 que nos últimos quatro a cinco anos os indivíduos acusados deste tipo de crimes são cada vez mais jovens, com menos de 20 anos e, mais recentemente, muitos são menores.
"São sobretudo rapazes, muitos indivíduos isolados, frequentemente com dificuldades académicas ou um certo afastamento da escola", continuou o responsável da PNAT.
O TikTok e o Telegram, adiantou, têm algoritmos que levam estes indivíduos muito rapidamente, assim que pesquisam conteúdos frequentemente relacionados com violência extrema, com conteúdos jihadistas, que conseguem convencê-los de que o seu sofrimento se deve à sociedade e que, por isso, devem retaliar.
No final de janeiro de 2026, Olivier Christen mencionou que estavam sob investigação da PNAT 22 menores acusados em 2025 pelo crime de terrorismo, representando um terço dos processos abertos em 2025 e 20% dos formalmente acusados nesse ano.
A natureza evolutiva dos processos iniciados pela PNAT, enfatizou, é marcada por "ações violentas ou planos para ações violentas contra o território francês", desenvolvidos "por indivíduos sem ligação direta a organizações terroristas".
Mas estes indivíduos são inspirados "pela abundante propaganda 'jihadista'" disseminada "em diversas redes sociais e identificam-se com estes projetos assassinos", referiu.