Durão Barroso defende “Madeira livre” de paternalismos
José Manuel Durão Barroso afirmou não ter acompanhado em detalhe a recente discussão na Assembleia da República sobre matérias relacionadas com o subsídio de mobilidade, mas deixou uma mensagem clara de defesa da autonomia e de uma relação baseada no respeito entre o Estado e a Região.
As declarações foram feitas à margem das Conferências do Atlântico, em Câmara de Lobos.
“Não estou a par dessa discussão concreta”, admitiu, quando questionado sobre o debate político recente.
Ainda assim, o antigo primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia sublinhou a importância de preservar o espírito de liberdade que está na base do regime autonómico.
“Os madeirenses não são súbditos da República, são cidadãos de pleno direito”, afirmou.
Durão Barroso defendeu que a autonomia deve ser vivida como expressão de uma Madeira livre de tutelas excessivas, rejeitando visões paternalistas ou centralizadoras.
“É muito importante resistirmos a qualquer tentação centralista”, disse.
O antigo governante considerou que as fricções entre poder central e regional são naturais em democracia, mas devem ser enquadradas com diálogo e respeito institucional.
“Não devemos ter medo da democracia, nem da liberdade, nem da autonomia”, sublinhou.
Sem entrar em polémicas específicas, deixou a ideia de que o essencial é garantir que a autonomia continue a ser instrumento de desenvolvimento e de afirmação política da Região.
Segundo afirmou, celebrar a autonomia é também afirmar a liberdade conquistada com a democracia e reconhecer o percurso próprio da Madeira no quadro nacional e europeu.