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Milionário Les Wexner diz ter sido "enganado" por Jeffrey Epstein "vigarista de classe mundial"

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Foto Shutterstock

O milionário Les Wexener, dono de um império retalhista, que incluiu os centros comerciais Victoria's Secret e Abercrombie&Fitch, disse aos membros do Congresso dos Estados Unidos que foi "enganado por um vigarista de classe mundial", Jeffrey Epstein.

Les Wexner também nega ter conhecimento dos crimes sexuais do condenado, ou de ter participado nos abusos do financeiro Epstein contra meninas e jovens mulheres.

"Fui ingénuo, tolo e crédulo ao confiar em Jeffrey Epstein. Ele era um trapaceiro. E embora tenha sido enganado, não fiz nada de errado e não tenho nada a esconder", afirmou o fundador aposentado da L Brands, de 88 anos, numa declaração apresentada ao Comité de Supervisão da Câmara antes da sua entrevista na quarta-feira.

 Os congressistas democratas tinham-lhe enviado uma notificação, depois da última divulgação de documentos do Departamento de Justiça sobre Epstein, condenado a prisão e já falecido, que levantou novas questões sobre o relacionamento de Wexner com o financeiro bem relacionado no mundo político.

Num movimento invulgar, os legisladores viajaram até à casa de Wexner, em New Albany, Ohio, para a entrevista.

Na sua declaração, Wexner descreveu-se como um filantropo, construtor de comunidade e avô que sempre se esforçou por ser exemplar. "Vivi a minha vida de forma ética, em linha com a minha bússola moral", afirmou.

 O empreendedor disse estar ansioso por "corrigir a informação" sobre as suas ligações com Epstein e dissipar "declarações falsas e ultrajantes e rumores, insinuações e especulações prejudiciais", que o têm perseguido.

Como um dos antigos e mais proeminentes amigos de Epstein, Wexner passou anos a dar explicações sobre a sua associação de décadas ao financeiro. Em documentos judiciais, a vítima de Epstein, Virginia Giuffre, alegou que Wexner foi um dos homens a quem o financeiro a traficou.

Wexner negou qualquer conhecimento ou envolvimento nos crimes de Epstein e afirma que nunca conheceu Giuffre.

Em 2019, disse aos investidores da L Brands que se sentia envergonhado por alguma vez se ter aproximado de alguém "tão doente, tão astuto, tão depravado."

Wexner nunca foi acusado de qualquer crime em conexão com Epstein, mas o seu nome aparece mais de 1.000 vezes nos arquivos sobre as ligações ao financeiro, que o seu porta-voz disse não ser inesperado, dado os seus laços de longa data.

Os documentos lançam uma nova luz sobre a sua relação com Epstein, que terminou de forma amarga, depois de Wexner e a sua esposa Abigail terem descoberto que o financeiro os estava a roubar. "Um amigo extremamente leal", Epstein conheceu Wexner pela primeira vez através de um associado de negócios por volta de 1986.

Aquele era um momento oportuno para as finanças de Wexner. O empresário de Ohio tinha transformado uma única loja da Limited, em Columbus, numa série de lojas emblemáticas dos centros comerciais dos anos 1980: The Limited, Limited Express, Lane Bryant e Victoria's Secret, Abercrombie & Fitch, Lerner, White Barn Candle Co. e outros seguiriam.

Em poucos anos, Wexner confiou a gestão da sua vasta fortuna a Epstein e deu ao seu então confiável associado uma procuração, em 1991, permitindo-lhe fazer investimentos e negócios, comprar propriedades e ajudar a desenvolver o que viria a ser a vasta fortuna de Wexner na então rural New Albany, mostram os documentos.

Nos novos documentos divulgados, Epstein enviou anotações intermédias a si próprio sobre Wexner dizendo: "Nunca, jamais, fazia nada sem informar o Les" e "eu nunca o abandonaria."

Outro documento, uma aparente carta rascunho para Wexner, dizia que os dois "tinham 'coisas de gangue' há mais de 15 anos" e eram mutuamente endividados um com o outro, já que Wexner ajudou a enriquecer Epstein e Epstein ajudou a enriquecer Wexner.

Um porta-voz de Wexner garantiu que o milionário nunca recebeu tal carta.

"Aparentemente, Epstein ficou furioso pelo facto de Wexner se recusar a encontrá-lo anos depois de ter terminado a relação com o financeiro e de ter cortado todos os laços com ele após a descoberta do roubo e conduta criminosa de Epstein", afirmou o porta-voz de Wexener, Tom Davies.

Wexner enviou um email a Epstein em 26 de junho de 2008, após ser anunciado um acordo de confissão que o obrigaria a cumprir 18 meses numa cadeia da Florida por uma acusação estatal de solicitação de prostituição de menor, a fim de evitar o processo federal. Acabou por cumprir 13 meses.