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Reunião do Conselho de Paz "passo importante" para paz em Gaza

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A reunião do Conselho de Paz "é um passo importante" para lançar as bases de um futuro pacífico e duradouro em Gaza, considerou hoje a ONU, reforçando que o enclave continua sob ataque israelita.

Numa reunião de nível ministerial do Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque, na véspera do encontro do Conselho de Paz, em Washington, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz apelou a esforços coletivos para consolidar o cessar-fogo em Gaza e aliviar o sofrimento da população palestiniana.

"Este é um momento crucial no Médio Oriente. Após anos de conflito devastador e de imenso sofrimento humano, existe uma abertura que poderá permitir à região seguir uma direção diferente. Mas esta abertura não é garantida nem indefinida", afirmou Rosemary DiCarlo.

As decisões tomadas nas próximas semanas vão determinar se essa mesma abertura será sustentada, avisou DiCarlo.

"Precisamos de progressos concretos no sentido da estabilização e da recuperação, em consonância com o direito internacional, para lançar as bases de uma paz duradoura. A reunião do Conselho de Paz em Washington, amanhã [quinta-feira], é um passo importante", sublinhou.

O Conselho de Paz, organismo composto por líderes mundiais e criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, arranca com a promessa de reconstruir a Faixa de Gaza.

A ONU não terá representação na primeira reunião do Conselho de Paz de Trump para Gaza, confirmou o porta-voz da organização, embora salientando que o coordenador de ajuda humanitária das Nações Unidas, Tom Fletcher, foi convidado.

"Tom Fletcher tinha sido convidado a participar. Infelizmente, devido a uma agenda extensa e a uma viagem (...) ao Sudão do Sul, não poderá ir. No entanto, estamos a fornecer informações para as discussões sobre o trabalho humanitário que temos vindo a realizar desde o cessar-fogo" em Gaza, disse Stéphane Dujarric.

A reunião de quinta-feira contará com a participação de governantes de mais de 30 países, como Israel, Argentina, Arábia Saudita e Egito.

Dujarric lembrou que o trabalho do Conselho de Paz para Gaza foi votado e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, pelo que as Nações Unidas e o organismo continuam em contacto.

Presidido de forma vitalícia por Trump, o organismo foi inicialmente apresentado como uma das peças-chave para supervisionar o plano de paz para a Faixa de Gaza, mas o tratado fundador da estrutura acabou por revelar um mandato muito mais vasto, ao propor-se a resolver conflitos armados em todo o mundo e ambicionando tornar-se uma organização alternativa às Nações Unidas.

Rosemary DiCarlo defendeu a necessidade da implementação da segunda fase do cessar-fogo em Gaza e de se avançar nos esforços para uma solução negociada de dois Estados.

A representante da ONU admitiu que foram alcançados "progressos encorajadores" desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro passado. No entanto, lamentou que a maioria da população de Gaza continue deslocada e a suportar condições de vida extremamente difíceis.

"Apesar do cessar-fogo, Gaza ainda não está em paz. Nas últimas semanas, os militares israelitas intensificaram os ataques em Gaza, atingindo zonas densamente povoadas e matando dezenas de palestinianos, incluindo muitas crianças e mulheres", observou.

Também na Cisjordânia ocupada, a situação está a deteriorar-se rapidamente, disse, referindo o uso de força e incursões israelitas generalizadas.

"Estamos a assistir à gradual anexação de facto da Cisjordânia, à medida que as medidas unilaterais de Israel transformam constantemente a realidade no terreno", condenou DiCarlo.

"Neste momento frágil para a região, não nos podemos dar ao luxo de adotar medidas tímidas. O Plano Abrangente liderado pelos EUA deve ser implementado na íntegra, juntamente com ações urgentes para reduzir a escalada e inverter a perigosa trajetória na Cisjordânia ocupada", insistiu a subsecretária-geral.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Reino Unido, Israel, Jordânia, Egito e Indonésia, entre outros, estão presentes na reunião do Conselho de Segurança da ONU. 

Alguns minutos antes do início da sessão, o chefe da diplomacia israelita, Gideon Sa'ar, leu uma declaração à imprensa na qual acusou a ONU de estar "contaminada por uma obsessão anti-Israel".

"Todos neste edifício deviam perguntar-se: porque é que todos estão a tratar a cimeira de amanhã [quinta-feira] como muito mais importante do que a reunião que acontecerá daqui a 15 minutos? O que diz isso sobre a posição da ONU hoje? Porque é que a ONU se tornou irrelevante para a resolução de conflitos no mundo? (...) Apelo à ONU para que acorde antes que perca o que lhe resta de importância, influência e estatuto", afirmou.