ONG acusa Israel de querer expandir Jerusalém para a Cisjordânia
Uma organização não-governamental (ONG) israelita acusou hoje o governo de Israel de querer expandir Jerusalém para a Cisjordânia, com um projeto do Governo que prevê a construção de um novo assentamento nos arredores.
Este projeto foi publicado no início deste mês, num momento em que se multiplicam as críticas face a uma anexação crescente da Cisjordânia, após o anúncio de várias medidas governamentais destinadas a reforçar o controlo israelita sobre este território.
Essas medidas foram classificadas como "ilegais" pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por várias capitais árabes e ocidentais, num momento em que o crescimento dos assentamentos israelitas na Cisjordânia ocupada atinge níveis recordes.
O Ministério da Construção e Habitação anunciou, a 03 de fevereiro, um projeto de expansão para oeste do assentamento de Geva Binyamin ou Adam, localizado na Cisjordânia ocupada, que resultaria na criação de um novo bairro nos arredores de Jerusalém Oriental, a parte da cidade ocupada e anexada por Israel em 1967 após a conquista da Cisjordânia.
O projeto, segundo o ministério, prevê a construção de 2.780 habitações e uma ampla modernização das infraestruturas.
Segundo a ONG Paz Agora, que se opõe à colonização, este projeto equivaleria a uma "expansão pura e simples" de Jerusalém na Cisjordânia, sem precedentes desde 1967.
"O novo bairro será parte integrante da cidade de Jerusalém e, em particular, do assentamento de Neve Yaakov, construído no norte de Jerusalém", explicou hoje à Agence France-Press (AFP) o diretor executivo da ONG, Lior Amihai.
A ONG destacou, num comunicado ilustrado com um mapa, que o novo bairro ficaria, na prática, separado da colónia de Adam pelo muro erguido por Israel na década de 2000, que acompanha quase toda a fronteira com a Cisjordânia, mas cujo traçado nesse local não segue exatamente a fronteira administrativa.
Portanto, não haverá "nenhuma conexão territorial" entre a nova colónia e a de Adam, acrescentou.
Além de Jerusalém Oriental, mais de 500.000 israelitas vivem hoje na Cisjordânia em colónias que a ONU considera ilegais à luz do direito internacional, no meio de cerca de três milhões de palestinianos.