Khamenei critica posição negocial dos EUA e desvaloriza ameaças de Trump
O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, criticou hoje a postura dos EUA nas negociações entre os dois países sobre o programa nuclear iraniano e garantiu que o Presidente norte-americano, Donald Trump, não conseguirá destruir a República Islâmica.
"[Os Estados Unidos] dizem: 'Vamos negociar sobre a vossa energia nuclear e que o resultado da negociação seja que vocês não tenham essa energia'", afirmou o ayatollah Khamenei num encontro em Teerão com representantes da província do Azerbaijão Oriental.
"Se realmente deve haver uma negociação, porque nem sempre há espaço para tal, determinar previamente o resultado da negociação é um ato incorreto e estúpido", declarou.
O Irão e os Estados Unidos realizam hoje, em Genebra, a segunda ronda de negociações nucleares, num contexto marcado por ameaças militares de Washington, que destacou um porta-aviões para o Golfo Pérsico e ordenou o envio de outro para pressionar Teerão.
Khamenei referiu-se a essas ameaças e afirmou que Trump, com advertências e ao dizer o que o Irão pode ou não fazer, procura "dominar o povo iraniano", mas garantiu que não conseguirá destruir a República Islâmica.
"O Presidente dos Estados Unidos disse que passaram 47 anos [sobre a revolução de 1979, liderada pelo ayatollah Ruhollah Khomeini] e ainda não conseguiram destruir a República Islâmica. Esta é uma boa confissão. Eu digo: também tu não serás capaz de o fazer", afirmou.
A mais alta autoridade política e religiosa iraniana acrescentou que Trump repete que o seu Exército é o mais forte do mundo, mas advertiu que essas forças militares "podem, por vezes, sofrer um golpe tão forte que não conseguem levantar-se".
"Um porta-aviões é certamente uma máquina perigosa, mas mais perigosa do que o porta-aviões é a arma que pode enviá-lo para o fundo do mar", acrescentou.
As declarações de Khamenei surgem enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, mantém um encontro indireto em Genebra com a delegação norte-americana, composta pelo enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e por Jared Kushner, genro de Trump.
Trata-se do segundo encontro entre Teerão e Washington após a retoma, a 06 deste mês, das negociações nucleares em Mascate (Omã), no que foi o primeiro contacto desde a guerra de 12 dias em junho de 2025.
As duas partes mantêm posições muito distantes, com linhas vermelhas bem definidas por Teerão, que insiste que não aceitará o enriquecimento nuclear zero nem a limitação do seu programa de mísseis balísticos, como exige Washington, por considerar que tal o privaria da sua capacidade defensiva.