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Starmer apela à Europa que reduza "excessiva dependência" militar dos EUA

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O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, vai apelar à Europa, num discurso na Conferência de Segurança de Munique, que reduza a sua "excessiva dependência" dos Estados Unidos na aquisição de armamento, através do reforço da cooperação industrial.

O desafio ao continente que considera "um gigante adormecido" irá ser feito no sábado no seu discurso na Conferência de Segurança de Munique, segundo excertos do seu discurso divulgados antecipadamente por Downing Street (gabinete do primeiro-ministro).

Embora os Estados Unidos continuem a ser um aliado indispensável, à medida que a sua postura em relação à segurança evolui, a Europa deverá passar da "dependência excessiva" à "interdependência", de acordo com o líder britânico.

Espera-se, no entanto, que se distancie de qualquer visão que selaria "a retirada dos Estados Unidos" da segurança europeia, enfatizando, em vez disso, "uma melhor divisão do ónus, reconstruindo os laços que tão bem nos serviram", de acordo com estes excertos.

Donald Trump e a sua administração têm criticado repetidamente os europeus, acusando-os de dependerem dos gastos militares norte-americanos para a sua segurança.

Especificamente, Starmer defende o reforço da cooperação industrial europeia no setor do armamento, incluindo plenamente os fabricantes britânicos.

"Queremos levar a nossa liderança em defesa, inteligência artificial e tecnologia para a Europa, a fim de multiplicar as nossas forças e construir uma base industrial comum para impulsionar a nossa produção de defesa", sublinha o britânico no seu discurso.

A Europa possui "imensas capacidades de defesa, mas, com demasiada frequência, isso produziu um resultado inferior à soma das suas partes", segundo Starmer.

O líder britânico atribui isso ao "planeamento industrial fragmentado" e aos "processos de concurso público longos e complexos".

Desde que assumiu o cargo em julho de 2024, Starmer tem defendido laços económicos mais estreitos com a UE, na esperança de reativar o emprego e a economia britânica, que se encontra a um ritmo lento.

Copreside, com o Presidente francês Emmanuel Macron, uma coligação de países que apoia a Ucrânia na sua guerra contra a Rússia e defende regularmente uma maior cooperação em matéria de defesa.

Contudo, no final de 2025, os esforços de Londres foram frustrados quando as negociações com Bruxelas fracassaram.

Estas negociações visaram garantir um acordo sobre a participação britânica no programa europeu de apoio à indústria de defesa, conhecido como SAFE, um programa de empréstimos de 150 mil milhões de euros.

As negociações falharam devido à contribuição financeira solicitada ao Reino Unido, de até 6,5 mil milhões de euros, que Londres considerou excessiva.

Londres comprometeu-se a aumentar as suas despesas com a defesa para 3,5% do PIB até 2035, em linha com a meta da NATO.