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Madeira

“Vão surgir cada vez menos pessoas com dentes do siso”

A médica dentista abordou, de uma forma descomplicada, toda a temática em torno dos conhecidos dentes do ‘juízo’, tendo alertado para alguns sintomas e aconselhado algumas cautelas

Dentes do siso: Em que consistem, quando surgem, sintomas, cuidados
Dentes do siso: Em que consistem, quando surgem, sintomas, cuidados

É habitual ouvirmos alguém reclamar à conta do surgimento dos dentes do siso, uma experiência pela qual nem todos passam e, que tendencialmente, cada vez menos passarão.

A médica dentista, Mónica Rodrigues, que realizou, em Cuba, uma pós-graduação em Cirurgia Oral, com foco nos dentes do siso inclusos, admitiu que existem sempre muitas dúvidas em torno desta temática e dispôs-se a esclarecê-las na rubrica DIÁRIO-Saúde, presente no YouTube.

Os dentes do siso são os terceiros molares e os últimos dentes a nascer na cavidade oral, daí a nomenclatura de dentes do juízo, por associarem o seu surgimento tardio a uma altura em que, por norma, existe também mais sensatez.

Segundo a profissional formada pela Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, “normalmente surgem quatro, sendo que pode até surgir mais ou mesmo não surgir nenhum”.

Questionada sobre a razão de aparecerem em algumas pessoas e em outras não, a dentista prontamente respondeu que "não é necessário tê-los presentes em boca", e que, por vezes, à conta de uma característica genética não se chegam a formar, uma situação que será cada vez mais comum devido à evolução da espécie.

Naturalmente os nossos antepassados tinham necessidades alimentares que são totalmente diferentes das que temos hoje em dia, daí que uma característica de evolução geracional passa por  começarem a surgir mais pessoas sem dentes do siso, dada a sua falta de utilização. Mónica Rodrigues, médica dentista

Estatisticamente, o aparecimento destes terceiros molares acontece por volta dos 17 e dos 25 anos, mas segundo a profissional de saúde “esta janela é bastante variável” e entre eles pode haver um espaço temporal de meses ou até anos.

“É importante ter em conta que apesar dos dentes estarem formados em boca, podem nunca surgir na cavidade oral, tratando-se assim de dentes inclusos. Estão presentes, mas estão escondidos, por assim dizer”, explicou.

Uma sensação de pressão, gengiva inflamada e, por vezes, até inflamação, são alguns dos sintomas que indicam o surgimento dos sisos, de acordo com Mónica Rodrigues, que alertou ainda que em casos mais avançados “esta dor pode irradiar para o ouvido ou mesmo para a cabeça”, referindo que nestas situações é fundamental procurar ajuda especializada.

Ao DIÁRIO-Saúde, a médica sublinhou que a dor, muitas vezes sentida, está associada, directamente, ao local onde nascem, ou seja, na zona mais posterior dos maxilares, onde não existe, na maioria das vezes, muito espaço para estes erupcionarem e, mesmo quando conseguem, de uma forma parcial, “também abre aqui uma janela de possibilidade de infecções, o que aumenta naturalmente a sintomatologia e a dor associada ao seu aparecimento”.

A médica dentista garantiu que é possível manter os dentes do siso, se estiverem erupcionados numa forma que seja possível fazer uma higienização correcta, mas sem descartar o acompanhamento periódico do médico dentista, para manter estas estruturas saudáveis durante muito tempo.

Fique a saber quando é necessário remover os dentes do siso, que cuidados deve ter no pré e pós-operatório e, ainda, como uma colheita de sangue antes da cirurgia de extração pode acelerar o tempo de recuperação.