Advogada especialista em causa animal vai representar labrador agredido no Caniçal
Fundadora da Associação Ajuda Alimentar Cães afirma que o agressor estava alcoolizado
Um labrador sénior chamado Júnior foi vítima de uma agressão brutal com um pé de cabra, deixando-o gravemente ferido, no Caniçal.
O animal, de 11 anos, foi encontrado com cortes profundos na cabeça e em estado de sofrimento intenso, depois de ter sido atacado pelo próprio dono, que alegadamente se exaltou porque o cão ladrou. A denúncia chegou à Associação Ajuda a Alimentar Cães, que em coordenação com o Abrigo Municipal de Machico e a PSP, realizou o resgate imediato do animal, garantindo-lhe cuidados médicos e protecção, segundo a informação amplamente divulgada nas redes sociais.
Nesse sentido, o DIÁRIO contactou a fundadora da associação, Mariana Nóbrega, que detalhou o caso e explicou que “ao chegarmos, encontramos um cenário gravíssimo, com muito sangue, o cão a ganir com sofrimento intenso e vários cortes profundos na cabeça. O agressor admitiu os factos, tal como a família, e encontrava-se alcoolizado, mas calmo e consciente, chegando a tentar apagar vestígios do crime lavando o cão”.
Mariana Nóbrega afirma que o Júnior apresenta lesões graves na cabeça e encontra-se paraplégico, não sendo ainda possível afirmar se a paralisia resulta das agressões ou se era uma condição pré-existente. Na próxima segunda-feira, 16 de Fevereiro, está agendado um TAC, com o objectivo de avaliar possíveis formas de recuperar a mobilidade.
“Caso não seja possível, estudaremos como lhe proporcionar a melhor qualidade de vida, nomeadamente com uma cadeira de rodas. Apesar de a recuperação ser improvável, faremos tudo ao nosso alcance”, explicou Mariana.
A nível emocional, o labrador demonstra medo e tristeza, come pouco e evita ladrar, reflexo do trauma sofrido. “É visível que o cão ainda não compreende o que aconteceu, mas é extremamente calmo, ternurento e adora passear e estar no jardim”, acrescentou.
A associação formalizou queixa-crime com o apoio de uma advogada do continente, especialista na causa animal, que se deslocará à Madeira para o julgamento. “Pela primeira vez temos expectativas reais de que será feita justiça. Existem várias testemunhas, provas materiais e factos claros, acreditamos que este será um caso exemplar”, afirmou a fundadora da associção.
A responsável aproveitou, além disso, para deixar uma mensagem à população. “Quem presencie maus-tratos não deve ter medo de denunciar. Os animais não falam; se não formos nós a falar por eles, ficam invisíveis. Este caso só está a avançar graças às pessoas que viram, filmaram, falaram, chamaram a polícia e denunciaram.”
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