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Turismo País

Crise em Cuba preocupa hoteleiros, operadores e governo português

Paulo Rangel e Pedro Machado tentam obter mais informações

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A crise energética e de escassez de combustível em Cuba está a preocupar vários ‘players’ privados com negócios em marcha naquele país. Mas também o Governo português.

Ontem, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros garantiu que o executivo nacional acompanha com atenção e preocupação a situação de Cuba, que está a sofrer as consequências da suspensão das entregas de petróleo da Venezuela. "A questão de Cuba é acompanhada por nós com muita atenção e também com preocupação, evidentemente", disse Paulo Rangel, quando questionado pelos jornalistas sobre a situação naquela ilha das caraíbas, onde o Grupo Vila Galé tem hotéis e operadores de viagens preparam pacotes de viagens em voos 'charter' para as férias da Páscoa e também no Verão.  

À margem do 35.º Congresso Nacional da AHP, organizado pela Associação da Hotelaria de Portugal, que decorre no Porto até amanhã, Paulo Rangel disse que não poderia acrescentar mais pormenores.  Limitou-se a garantir que “há trabalho em curso e, nesse sentido, diria que é um acompanhamento muito perto, mas não quero dizer mais nada, porque não devo dizer mais nada", explicou.

O secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, também abordou o assunto, sublinhando que veio há duas semanas da Cimeira Ibero-Americana, onde esteve entre outros com o ministro do sector de Cuba, “e onde pudemos trocar impressões sobre aquilo que era a perspectiva do que podia vir a acontecer”. De qualquer forma, prometeu obter mais informação e  “contactar o nosso embaixador, porque manifestamente, além dos portugueses que possam estar no destino, temos de facto interesses económicos em Cuba, desde logo a partir do momento que temos um operador privado que tem lá esses hotéis”.

Para além do que já havia dito Paulo Rangel, Pedro Machado assumiu que daria mais informações após contactar o  embaixador e a embaixada em Cuba, bem como falar com o colega secretário Estado que tem os assuntos relacionados com os negócios estrangeiros.

Ao longo da semana, companhias aéreas canadianas Aiir Canada,  Air Transat e WestJet anunciaram a suspensão dos voos para Cuba, onde os stocks de combustível têm diminuído rapidamente desde que os Estados Unidos aumentaram a pressão sobre a ilha comunista.  Em resposta à pressão de Washington, o Governo cubano anunciou medidas de emergência, incluindo uma semana de trabalho de quatro dias para as empresas estatais e restrições à venda de combustível. 

No fim de semana, autoridades cubanas informaram as companhias aéreas de que o abastecimento de combustível de aviação seria interrompido durante um mês a partir da meia-noite de segunda-feira. Segundo a Administração Federal da Aviação dos Estados Unidos, os aeroportos internacionais do país esgotaram as reservas de combustível Jet A1, o mais utilizado pela aviação comercial, não estando disponível entre 10 de Fevereiro e 10 de Março nos nove principais aeroportos. 

Perante o cenário, companhias aéreas ajustaram operações. A russa Aeroflot alterou horários de voos e suspendeu a venda de bilhetes, enquanto a espanhola Iberia flexibilizou tarifas para passageiros com viagens marcadas e a Air Europa confirmou uma escala em Santo Domingo (República Dominicana) para reabastecimento nos voos de e para Havana. 

A escassez afectou igualmente o sector hoteleiro.