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Costa confiante que 2026 será ano para economia europeia se tornar competitiva

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Foto EPA

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou que 2026 será "ano da competitividade da economia europeia", dada a aposta dos líderes da União Europeia (UE), hoje reunidos para discutir estratégias num castelo fora de Bruxelas.

"Estou certo de que, tal como fizemos no ano passado com a defesa, este ano de 2026 será o ano da competitividade da economia europeia", declarou António Costa, que inaugurou este tipo de retiros informais de líderes da UE para permitir uma discussão mais franca sobre prioridades comunitárias, sem a pressão para chegar a conclusões escritas.

No ano passado, António Costa estreou-se nestes retiros informais com o tema da defesa, que se tornou numa aposta da UE, nomeadamente com um plano de financiamento orçado em 800 mil milhões de euros.

Hoje, o antigo primeiro-ministro português quer repetir a fórmula, mas desta vez discutindo como aumentar a competitividade e o crescimento económico comunitário, quando se fala numa Europa a duas velocidades na cooperação financeira.

"Temos uma prioridade clara: reforçar o crescimento económico na Europa, que é essencial para a nossa prosperidade, para criar empregos de qualidade e para sustentar o nosso modelo económico e social", adiantou o presidente do Conselho Europeu.

No encontro informal de alto nível que decorre no castelo belga de Alden Biesen, a cerca de uma hora de Bruxelas, António Costa vai promover debates entre os restantes 26 líderes europeus sobre como reforçar o mercado único, reduzir as dependências económicas e aumentar a competitividade da UE, num novo contexto geoeconómico em constante mudança.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, cancelou a sua participação no retiro devido à situação de calamidade em Portugal, pelo que será representado na ocasião pelo homólogo grego, Kyriakos Mitsotakis, que é da mesma família política (Partido Popular Europeu) e da mesma região (Europa do sul), segundo fontes governamentais.

Esta cimeira europeia informal servirá para recolher diretrizes em questões como a remoção das barreiras no mercado interno, a redução dos preços da energia, a promoção da indústria comunitária e a alavancagem de verbas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já veio defender uma UE simplificada e a duas velocidades quanto à integração financeira para acelerar a União dos Mercados de Capitais, o que iria permitir que alguns países da UE (os que quisessem) pudessem harmonizar melhor os seus sistemas, facilitar o financiamento às empresas e reduzir a dependência de capital externo.

Uma outra ideia que será discutida neste retiro diz respeito à preferência europeia, dando prioridade a empresas, produtos ou investimentos da UE em setores estratégicos.

A ideia é combater a falta de investimento e de inovação na UE, diversificar o fornecimento energético para obter preços mais baixos e reforçar a resiliência e segurança económicas, principalmente face à China e aos Estados Unidos.

Em causa estão reformas nacionais, mas também europeias, ao nível da simplificação administrativa (para gerar poupanças de 15 mil milhões de euros por ano), da remoção de barreiras no mercado único (com as barreiras internas a equivaleram a uma tarifa de 45% sobre bens e 110% sobre serviços), da aposta na inovação e da atração do investimento.

A UE é o maior bloco comercial do mundo em termos combinados de bens e serviços, representando, em 2024, uma fatia de 15,8% do comércio mundial.

O Castelo de Alden Biesen está localizado no município de Bilzen, província de Limburgo, na região de Flandres.