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CEO do Instagram rejeita noção de "vício clínico" nas redes sociais

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Foto Shutterstock

O CEO do Instagram, Adam Mosseri, rejeitou ontem a noção de "vício clínico" nas redes sociais, limitando-se ao termo "uso problemático", no terceiro dia do julgamento da Google e da Meta.

"É importante diferenciar entre dependência clínica e uso problemático", disse o executivo, citado pela AFP, em resposta a uma pergunta do advogado da autora da ação, Mark Lanier.

O processo visa auxiliar os 12 jurados de um tribunal civil de Los Angeles a determinar se os executivos da Google e da Meta, bem como das respetivas subsidiárias, o YouTube e o Instagram, conceberam as suas plataformas de forma consciente para incentivar o consumo descontrolado por parte dos jovens utilizadores da Internet.

O caso gira em torno de Kaley G.M., uma californiana de 20 anos que foi exposta, ainda muito jovem e intensamente, a vários sites, entre os quais o YouTube e o Instagram.

O julgamento é considerado um caso-teste para as dezenas de processos judiciais semelhantes que estão em curso nos Estados Unidos.

"De certeza que devo ter dito que era viciado numa série da Netflix que via até altas horas da noite", explicou Adam Mosseri, "mas não acho que isso seja o mesmo que um vício clínico".

O advogado de acusação, Mark Lanier, contrapôs de imediato, apontando que a testemunha não tinha formação em medicina ou psicologia.

"Nunca afirmei ser capaz de diagnosticar um vício clínico", retorquiu Adam Mosseri, admitindo que, no passado, tinha "usado o termo de forma muito leviana".

Bombardeado com perguntas sobre a filosofia da Meta e do Instagram, o nova-iorquino defendeu a abordagem do grupo.

"Acho que é importante que as empresas, incluindo a nossa, garantam que o que criamos é seguro", disse o gestor que lidera o Instagram desde 2018.

Questionado sobre o potencial dilema entre o bem-estar do utilizador e os lucros da empresa, Adam Mosseri afirmou que "proteger os menores também tem um efeito positivo nos negócios e nos lucros".

"A longo prazo", insistiu, "tomar decisões que beneficiem" a empresa à custa dos seus utilizadores "pode revelar-se muito problemático para o negócio".

A audição de Adam Mosseri antecede o aguardado depoimento de Mark Zuckerberg, agendado para 18 de fevereiro.