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Seguro defende que medidas do Governo "vão na direcção certa" e pede rapidez

FOTO JOSÉ COELHO/LUSA  
FOTO JOSÉ COELHO/LUSA  

O candidato presidencial António José Seguro considerou hoje que as medidas anunciadas pelo Governo para responder à tempestade Kristin "vão na direção certa", defendendo que o importante é que cheguem rapidamente e sem burocracia às pessoas e empresas.

"Em primeiro lugar, parece-me que as medidas que hoje o primeiro-ministro anunciou vão na direção certa. O que é importante é que cheguem o mais rapidamente às pessoas, às empresas e às famílias que estão em dificuldades. Nós conhecemos a tradicional burocracia do Estado, não pode haver burocracia aqui", respondeu Seguro aos jornalistas, no final de um comício em Gouveia, distrito da Guarda.

De acordo com o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais, "as pessoas estão a viver um momento de aflição".

"Estas medidas que vão no sentido certo têm que chegar rapidamente às empresas, têm que chegar rapidamente às pessoas para que elas possam reconstruir as suas vidas, o seu património e voltem à normalidade. Isso é aquilo que eu desejo", apelou.

Quanto "à questão europeia", Seguro disse aos jornalistas que ouviu "com atenção" a resposta de Luís Montenegro e pareceu-lhe que o primeiro-ministro disse que "está a negociar, está a conversar com a Comissão Europeia".

"Eu continuo a defender que deve haver uma libertação da capacidade de construção civil do nosso país para acudir a essas pessoas, às pessoas que ficaram sem casas, que estão sem telhados. Porquê? Porque pode haver apoio, mas se não houver depois quem executa essa obra, fica tudo na mesma", disse.

O candidato apoiado pelo PS tinha proposto na sexta-feira para que a Comissão Europeia prolongasse os prazos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para ajudar à reconstrução das regiões afetadas pela tempestade.

Seguro defendeu que seria importante acionar o Fundo de Solidariedade Europeu, já que isso poderia ajudar a fazer face a estragos de infraestruturas e estruturas públicas.

"Eu sei que há regras exigentes, com certeza o Governo está atento a isso, mas é uma questão das possibilidades que também existem", defendeu. 

Questionado sobre se estava concertado com o Governo, o candidato presidencial apoiado pelo PS respondeu: "eu estou concertado com o país e, sobretudo, com o sofrimento que as pessoas têm". 

Questionado sobre se tenciona voltar às zonas afetadas, tal como fez em dias sucessivos, sozinho e sem avisar a comunicação social, Seguro prometeu estar "sempre que seja necessário e que seja útil".

"E, portanto, se houver condições e se houver necessidade, eu voltarei ao terreno. Mas volto sempre a dizer, não quero interferir com os trabalhos que a Prevenção, que a Proteção Civil está a fazer. Infelizmente, prevê-se uma situação, nas próximas horas, que é uma situação difícil, sobretudo em zonas de leito, pode haver cheias, e, portanto, é necessário que toda a Proteção Civil esteja concentrada em proteger pessoas e bairros", disse.

Na perspetiva do ex-líder do PS, em relação à tempestade Kristin, "tem havido uma grande convergência e uma grande expressão de solidariedade de todos os portugueses, de todos os atores políticos, culturais, sociais, económicos". 

"Este é um momento de união do nosso país. É um momento em que milhares de nossos concidadãos estão a sofrer e todo o apoio é pouco. Aquilo que é necessário é que, de facto, possamos dar as mãos e que esse apoio chegue o mais rapidamente possível. Esta é a hora da ação", apontou.

Seguro respondeu aos jornalistas no final de um comício no Teatro Cine Gouveia, declarações que foram feitas perto de uma placa comemorativa que lembra que, em 1998, então como secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, o agora candidato fez a inauguração da reconstrução e renovação deste espaço.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.

O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.