A voz dos polícias!
A nomeação do Superintendente-Chefe Pedro Moura como novo Diretor Nacional da PSP abre um novo ciclo na instituição. Desejo-lhe os maiores sucessos, esperando que a sua liderança seja marcada pelo diálogo e pela valorização dos profissionais.
Uma palavra de apreço ao Diretor Nacional cessante, Superintendente-Chefe Luís Carrilho, pelo trabalho desenvolvido e pela dedicação à PSP, desejando-lhe também os maiores sucessos nas novas funções como Oficial de Ligação em Paris.
A PSP não se constrói apenas com estratégias, reorganizações ou discursos. Constrói-se com profissionais motivados, carreiras valorizadas, condições de trabalho dignas e reconhecimento por parte de quem tem a responsabilidade de decidir. É precisamente por isso que a ação sindical continua a ser tão importante.
Nos últimos tempos, a ASPP/PSP tem desenvolvido iniciativas reivindicativas por todo o país, procurando chamar a atenção para problemas que há demasiado tempo aguardam respostas concretas. A Madeira não ficou de fora desta luta e também fez ouvir a sua voz, demonstrando que a insularidade, o custo de vida, as dificuldades de fixação de profissionais e as condições de exercício das funções policiais não podem continuar a ser tratados como questões secundárias.
Na Madeira, merece particular destaque a reunião com o Senhor Presidente da Câmara Municipal do Funchal e o seu Vice-Presidente, que nos receberam de forma extremamente cordial e demonstraram disponibilidade para ouvir e compreender as nossas preocupações. Durante o encontro, o Senhor Presidente manifestou preocupação com a atual situação da PSP, particularmente com a contínua perda de recursos humanos e as consequências que esta realidade poderá ter na segurança e na capacidade de resposta às populações. Foi igualmente abordada a criação da Polícia Municipal do Funchal, tendo o Presidente garantido que este projeto será uma realidade num futuro muito próximo. Foi, sem dúvida, um momento importante de diálogo, que demonstrou sensibilidade para com os problemas dos profissionais de polícia e reconhecimento da importância de reforçar a segurança no concelho.
A concentração realizada no Funchal, em articulação com a APG/GNR e com a participação de profissionais da Guarda Prisional, mostrou que estas preocupações ultrapassam fronteiras institucionais. Falamos do cumprimento dos compromissos assumidos, da revisão das tabelas remuneratórias e das carreiras, de melhores condições de trabalho e da necessidade de tornar as forças de segurança mais atrativas. Falamos de garantir que quem protege os outros também é protegido e respeitado.
Naturalmente, o diálogo com as autarquias não substitui a responsabilidade do Governo, a quem cabe encontrar respostas estruturais. Ainda assim, é fundamental reconhecer quem nos ouve e demonstra sensibilidade perante os problemas que afetam os profissionais e as comunidades que servimos. Por isso, deixamos uma palavra de agradecimento ao Presidente e ao Vice-Presidente da Câmara Municipal do Funchal pela forma como nos receberam.
A mobilização culminou, a 29 de outubro, em Lisboa, numa manifestação nacional promovida pela ASPP/PSP e pela APG/GNR. Os profissionais percorreram o trajeto entre o Largo de Camões e São Bento, levando ao espaço público reivindicações que não são privilégios, mas condições essenciais para o exercício de funções exigentes. A valorização salarial, a revisão das carreiras e o cumprimento dos compromissos assumidos em 2024 estiveram no centro da iniciativa.
E houve uma mensagem clara. Àqueles que julgavam que os profissionais iriam perder o controlo, provocar desacatos ou recorrer às já famosas tendas, demos uma verdadeira lição de civismo e responsabilidade. Demonstrámos que é possível realizar uma manifestação firme e determinada, sem provocar distúrbios, causar danos ou desrespeitar ninguém. Não precisamos de destruir para reivindicar, nem de criar conflitos para sermos ouvidos.
Os polícias conhecem melhor do que ninguém o valor da ordem pública e o respeito pelos direitos dos cidadãos. Também sabem que a liberdade de manifestação é um direito democrático e que exercê-lo com responsabilidade reforça a legitimidade da causa.
Da Madeira a Lisboa, a mensagem mantém-se: não exigimos favores, exigimos respeito, diálogo e soluções. A luta continuará, com determinação, união e responsabilidade. Porque defender quem nos protege é, acima de tudo, defender a segurança de todos.