Mais de 85% dos inquiridos em estudo da Católica muito preocupados com acesso à habitação
A maioria (64,8%) dos participantes num estudo da Católica-Lisbon SBE residem em habitação própria, mas 85,1% manifestam elevados níveis de preocupação com o acesso à habitação e 92,1% com a evolução dos preços, foi hoje divulgado.
Realizado em julho de 2026 e agora disponibilizado, o "Estudo Observatório da Sociedade Portuguesa 2026", elaborado pela 'Behavioral Insights Unit' da Católica-Lisbon SBE com base na opinião de 964 participantes sobre vários aspetos da realidade nacional, aponta que 85,1% manifesta níveis elevados de preocupação com a facilidade de acesso à habitação (níveis 5 a 7 numa escala de 1 a 7), sendo que 51,7% indica o nível máximo de preocupação.
Ao mesmo tempo, 92,1% dos inquiridos demonstram grande preocupação com a subida dos preços (níveis 5 a 7), dos quais 64,6% se declaram no nível máximo de preocupação, existindo "um consenso quase total" de que os preços das casas continuam a subir na zona de residência, indicado por 98,1% dos participantes.
No que respeita ao esforço financeiro relacionado com a habitação, a maioria dos agregados (74,9%) referiu afetar menos de 40% do seu rendimento a prestações ou rendas de casa, enquanto 25,1% canalizava mais de 40% do seu rendimento para esse destino.
Do estudo resulta ainda uma "perceção moderada das condições económicas atuais em Portugal" e "alguma cautela quanto à sua evolução futura" por parte dos participantes.
Neste indicador, 58,3% das respostas posicionam-se nos níveis intermédios da escala, dividindo-se entre 29,4% de avaliações neutras e 28,9% pouco favoráveis, enquanto as classificações negativas somam 26,7% (sendo 15,5% fracas e 11,2% muito fracas).
Em sentido oposto, apenas 13,1% classificam a situação económica como boa e 2,0% como muito boa ou excelente.
Quanto às expectativas futuras, 28,0% dos inquiridos antecipam que as condições vão piorar ligeiramente, 22,1% que vão piorar e 18,8% que vão piorar significativamente. Já 22,0% considera que a situação se manterá estável.
No domínio do rendimento familiar, mais de metade (59,0%) dos agregados avaliam o seu rendimento líquido mensal de forma moderadamente positiva (níveis 6 a 10), contra 20,3% que manifestam dificuldades mais evidentes em cobrir despesas (níveis 0 a 3).
Já quanto à perceção da inflação e do custo de vida, a Católica-Lisbon SBE diz verificar-se "um aumento dos valores mínimos considerados necessários para fazer face às despesas": 27,4% dos participantes afirmam precisar de pelo menos 2.000 euros mensais líquidos para fazer face às despesas (14,4% situam o mínimo entre 2.000 e 2.499 euros e 13,0% em 2.500 euros ou mais).
Como resposta à incerteza económica, 68,4% dos inquiridos declaram ter muito interesse em poupar, o que representa um aumento de 5,8 pontos percentuais em relação a 2025.
A este nível, o trabalho evidencia uma "forte orientação para a gestão prudente dos recursos financeiros", com 91,5% dos participantes a afirmarem ter cuidado com a forma como gastam o seu dinheiro, 82,9% a procurarem poupar uma parte dos rendimentos disponíveis e 89,0% a discordarem da ideia de gastar imediatamente o dinheiro de que dispõem.
"De uma forma geral, os dados revelam que a maioria da população se sente globalmente feliz e satisfeita, além de demonstrar uma perceção positiva do seu estado de saúde e bem-estar geral", concluem os autores do estudo.
"No entanto, o estudo também identifica preocupações significativas relacionadas com o custo de vida, a sustentabilidade financeira, o acesso à habitação e o estado do Serviço Nacional de Saúde", acrescenta.
A amostra deste estudo é constituída por 964 participantes, dos quais 55% do sexo feminino e 45% do sexo masculino, com idades entre os 18 e os 70 ou mais anos.
Dos participantes, 14,5% têm entre 20 e 29 anos, 21,7% entre 30 e 39 anos, 26,1% entre 40 e 49 anos, 23,5% entre 50 e 59 anos e 12,4% entre 60 e 69 anos. Apenas 0,3% da amostra tem menos de 20 anos, enquanto 1,4% possui 70 ou mais anos.