Casa para Viver condena violência policial e convoca novo protesto
Manifestação está marcada para terça-feira, às 18h30, junto à Assembleia da República, no dia em que começa a votação do Orçamento do Estado para 2027
A plataforma Casa para Viver condenou hoje a "violência policial" contra as acampadas pela habitação em Lisboa e no Porto ocorrida durante a madrugada e convocou um protesto, para terça-feira, na Assembleia da República.
"A plataforma Casa Para Viver condena e denuncia a violência policial exercida sobre as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, na noite de sábado para domingo", refere em comunicado hoje divulgado.
Na nota, a plataforma "convoca protesto na Assembleia da República terça-feira, 27 de Outubro, às 18:30, à porta do parlamento", no dia em que começa a votação na generalidade da proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
A Casa para Viver acrescenta que "às duas da manhã deste domingo, as forças de segurança carregaram sobre manifestantes pacíficos com bastonadas, cães e balas de borracha. A operação fez cerca de 60 feridos, alguns deles graves, e resultou em dezenas de detenções".
"Quem estava nas acampadas não cometeu crime nenhum. Estava a exercer um direito constitucional, o direito de manifestação, para defender outro direito constitucional, o direito à habitação", refere na nota.
Segundo a plataforma, "escolher a madrugada para lançar cães e carregar à bastonada sobre pessoas que se manifestavam pacificamente é uma decisão política", que "mostra que este governo prefere reprimir quem denuncia a crise da habitação a resolver a própria crise".
"Enquanto milhares de famílias são empurradas para fora das suas casas pelas rendas e prestações incomportáveis, o governo propõe, no Orçamento do Estado apresentado, cortar verbas no setor da habitação", lê-se também.
"Não falta dinheiro. Falta vontade de o pôr ao serviço de quem precisa de uma casa para viver", acusa o movimento, frisando que "a Casa Para Viver vai responder na rua. Na terça-feira, 27 de Outubro, às 18:30, à porta da Assembleia da República".
De acordo com o comunicado é exigido aos partidos "que suportam o governo, o fim imediato da repressão sobre quem luta pelo direito à habitação, e o apuramento de responsabilidades pela carga policial".
É igualmente exigido "um orçamento democrático, que dê o dinheiro justo para resolver o problema da habitação em vez de cortar as verbas do setor. O direito à habitação não se defende com polícia. Defende-se com política pública, investimento e respeito por quem se mobiliza".
"Todos ao Parlamento! Terça-feira, 27 de Outubro, 18:30, Assembleia da República", conclui a nota.
A polícia dispersou hoje, à bastonada, as manifestações pelo direito à habitação, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens de dispersão não acatadas, para retirarem as tendas montadas pelos manifestantes pelo direito à habitação
De acordo com a PSP, há sete feridos e 31 detidos por desobediência, no entanto, em comunicado publicado nas redes sociais, a Acampada de Lisboa, refere que a assistência de dezenas de feridos.
Onze feridos e 31 detidos em protestos pela habitação
PSP removeu 171 tendas em Lisboa e no Porto. Detidos começaram a ser libertados e deverão apresentar-se a tribunal na segunda-feira
"Na madrugada de hoje, 25 de Outubro, dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela policia de intervenção. Destes, mais de 20 foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada", lê-se no 'post' do Instagram.
Na Madeira, o Núcleo Regional do Movimento Porta a Porta também convocou uma manifestação pelo direito à habitação, marcada para 14 de Novembro, no Funchal, para contestar as alterações à legislação do arrendamento propostas pelo Governo da República:
Movimento Porta a Porta convoca manifestação pela habitação no Funchal
Protesto está marcado para 14 de Novembro e contesta as alterações à legislação do arrendamento propostas pelo Governo da República