A desigualdade que as estatísticas não mostram

As estatísticas dizem que as fortunas aumentaram, mas, para a maioria das pessoas, a realidade é bem diferente. Os salários perdem poder de compra, a capacidade de poupança encolhe e conquistar alguma estabilidade tornou-se cada vez mais difícil para quem vive do seu trabalho.

A crise da habitação é uma das expressões mais gritantes desta desigualdade. A casa é uma necessidade básica, mas para uns é uma oportunidade de multiplicar lucros, enquanto para outros significa rendas incomportáveis, endividamento, insegurança e a impossibilidade de comprar casa ou permanecer na cidade onde nasceram e cresceram.

Há vidas marcadas pela incerteza e pelo medo: receio de uma nova subida da renda, de um contrato que não será renovado ou de um salário que já não chega para cobrir as despesas essenciais. É angústia de quem trabalha e, ainda assim, não consegue construir um futuro seguro para si e para os seus filhos.

Perante esta realidade, o primeiro-ministro Luís Montenegro tem optado pelo silêncio ou com declarações infelizes quando classificou os jovens egoístas, a que se juntam as palavras do presidente da IHRU. Entretanto, o Governo, além de reprimir as manifestações dos jovens, não apresenta propostas para um problema que aos pouco, transformou um direito humano num casino financeiro.

Urge, por isso, exigir reformas estruturais que devolvam dignidade e esperança às pessoas com salários justos, habitação verdadeiramente acessível, combate firme à especulação imobiliária e reforço da oferta pública da habitação.

É o futuro dos nossos jovens que está em causa.

Carlos Oliveira