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Emirados Árabes Unidos propõem candidata a secretária-geral da ONU

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Foto Rede Social X

Os Emirados Árabes Unidos apresentaram hoje a candidatura de Lana Nusseibeh, alta funcionária do seu Ministério dos Negócios Estrangeiros, a secretária-geral da ONU, quando nenhum dos atuais candidatos gera consenso para suceder a António Guterres.

"Sou candidata ao cargo de secretário-geral porque acredito que chegou o momento de agir com maior urgência: intervir mais cedo, unir as pessoas para além das suas diferenças e avançar até à obtenção de resultados concretos", declarou Lana Nusseibeh em comunicado.

A diplomata ocupa os cargos de secretária de Estado no Ministério dos Negócios Estrangeiros e de enviada especial junto da ONU e da União Europeia. Entre 2013 e 2024, foi embaixadora dos Emirados nas Nações Unidas.

Segundo uma tradição geográfica nem sempre respeitada, a América Latina reivindica o cargo desta vez.

Muitos países defendem também que uma mulher assuma, pela primeira vez, o comando da ONU.

Os membros permanentes do Conselho de Segurança vetaram todos os atuais candidatos ao cargo de secretário-geral da ONU, numa votação informal realizada na sexta-feira.

Na votação, com carácter indicativo, nenhum dos sete candidatos conseguiu evitar um voto negativo das cinco potências --- Grã-Bretanha, França, Estados Unidos, China e Rússia ---, abrindo caminho ao surgimento de prováveis novas candidaturas.

Na sexta votação à porta fechada (conhecida como straw poll), e que deverá ser a última consulta, os 15 membros atribuíram, de forma anónima, uma classificação a cada candidato: "encoraja", "desencoraja" ou "sem opinião".

Pela primeira vez nas votações realizadas ao longo dos últimos meses, foram identificados por uma cor específica os boletins de voto dos cinco membros permanentes. Numa votação formal, basta o veto de um deles para 'chumbo' do candidato e este não ser recomendado para secretário-geral da ONU.

Até agora, liderava a corrida a costa-riquenha Rebeca Grynspan, de 70 anos --- que dirigia a agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD).

Com nove votos de "encoraja", Rebeca Grynspan manteve-se na liderança, mas também recebeu hoje cinco votos de "desencoraja" --- dois dos quais provenientes de membros permanentes --- e um "sem opinião".

De acordo com o portal especializado PassBlue, os Estados Unidos e o Reino Unido votaram contra Grynspan.

Logo atrás surge o atual diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, de 65 anos, com 8 votos a favor, seis contra (incluindo dois de membros permanentes) e um neutro.

Carolyn Rodrigues-Birkett, embaixadora da Guiana junto da ONU, teve igual votação, mas três votos favoráveis de membros permanentes, contra dois de Grossi.

O português António Guterres, de 77 anos, deixará o cargo a 01 de janeiro de 2027, após dois mandatos consecutivos e o resultado desta consulta mantém a porta aberta para que outros países apresentem novos candidatos.

Até ao momento, quatro mulheres e três homens procuram suceder a Guterres.

O site noticioso Politico informou recentemente que os Estados Unidos eram contra todos os atuais candidatos à liderança da ONU.

O embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, evitou responder diretamente quando confrontado com a informação, mas não a desmentiu.

A ONU atravessa um dos períodos mais difíceis da sua história, confrontada com a multiplicação de conflitos, divisões persistentes no Conselho de Segurança e graves dificuldades financeiras.