Le Pen alarga vantagem nas presidenciais francesas de 2027 após distúrbios
A líder de extrema-direita francesa, Marine Le Pen, terá reforçado a sua posição para as eleições presidenciais francesas de 2027 após os distúrbios do fim de semana, saindo vitoriosa em todos os cenários possíveis, segundo uma sondagem.
A sondagem do instituto Ifop-Fiducial publicada na terça-feira pelo Le Figaro, LCI e Sud Radio, que foi realizada entre a noite de sábado e segunda-feira, o período mais crítico dos distúrbios em França, aponta que a líder do Rassemblement Nacional (RN ou Reagrupamento Nacional) obteria entre 34% e 38% dos votos na primeira volta, mais um a um ponto e meio do que na medição anterior, considerando cenários comparáveis.
Numa eventual segunda volta, Le Pen derrotaria todos os candidatos incluídos no estudo e obteria 56% contra o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, 58% contra o ex-primeiro-ministro Gabriel Attal, 59% contra o ex-presidente socialista François Hollande e 57% contra o eurodeputado Raphaël Glucksmann, vencedor das primárias sociais-democratas.
A sua vantagem seria ainda maior (68%) contra o líder do partido La France Insoumise (LFI, França Insubmissa), Jean-Luc Mélenchon, que o governo francês aponta como o principal responsável pelos distúrbios.
Segundo o diretor-geral de sondagens de opinião do Ifop, Frédéric Dabi, Le Pen é a única candidata que sai reforçada dos acontecimentos recentes, consolidando a sua imagem de representante da ordem.
Philippe, líder do partido Horizons, cairia para 15% no cenário em que concorre como único candidato do bloco centrista, menos três pontos do que na sondagem anterior e seis pontos abaixo do nível registado três semanas antes.
À esquerda, Mélenchon ficaria entre os 15% e os 20% dos votos e ocuparia a segunda posição em todos os cenários estudados, quer sozinho, quer empatado com outro candidato. Glucksmann obteria entre 12% e 16%.
A sondagem reflete também dificuldades para os candidatos da direita tradicional, uma vez que o ex-ministro do Interior Bruno Retailleau, do partido Os Republicanos (LR, conservadores), alcançaria entre 5% e 7,5%, enquanto o presidente da Câmara de Cannes, David Lisnard (ex-LR e fundador da Nouvelle Énergie), atingiria até 7%.
Pelo menos 2.400 pessoas foram detidas em todo o país durante os graves distúrbios e pilhagens registados no fim de semana na capital francesa e noutras cidades, que incluíram pilhagens de centenas de estabelecimentos comerciais e ataques contra edifícios públicos.