Lula desafia Flávio Bolsonaro a quebrar sigilo bancário e telefónico para mostrar "quem é ladrão"
O Presidente brasileiro, Lula da Silva (PT), voltou a desafiar na segunda-feira o seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), a abrir sigilo bancário e telefónico para mostrar "quem é ladrão neste país".
O líder de esquerda declarou ainda que entregará ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira uma autorização para quebra de sigilo telefónico e bancário seu e da sua família, e cobrou Flávio a fazer o mesmo.
"Fiz questão de colocar meus cinco filhos porque toda eleição se inventa uma coisa contra a minha família e eu resolvi não ficar quieto", declarou à imprensa momentos antes do comício em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, estado bastião do bolsonarismo.
"Essa é minha última disputa eleitoral e não posso deixar que um ladrão tente jogar minha biografia no lixo. Isso é em defesa da minha honra, da honra da minha família e sobretudo na defesa desse país que não pode ter um ladrão governando esse país", realçou.
Durante a carreata, cercado de apoiantes com cores vermelhas e bandeiras com o nome do PT, de Lula e de movimentos sociais, o petista incentivou os apoiantes a gritarem num só coro "Ei, Flávio! Abra o seu sigilo!".
Lula anunciou aos apoiantes o movimento que fará no TSE na terça-feira, se referiu ao adversário como "miliciano", e desafiou Flávio a quebrar sigilo da família, das suas empresas, dos irmãos e do pai Jair Bolsonaro.
O petista questionou onde foram parar os 134 milhões de reais (23,64 milhões de euros) que Flávio Bolsonaro pediu, e recebeu de Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master, sob alegação de custear as despesas do filme "Dark Horse", uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Durante o comício, Lula voltou a questionar como Flávio comprou uma mansão de 6 milhões de reais (1 milhão de euros) numa área nobre de Brasília com salário de senador da República.
"Portanto, dia 25 [data da segunda volta] é o dia da verdade. Enquanto eu estiver vivo, enquanto eu tiver força, ladrão nenhum, fascista nenhum vai governar este país", gritou já com a voz rouca.
A ideia de abrir o sigilo telefónico e bancário de ambos para mostrar "quem é o mais honesto" foi sugerido pelo líder de esquerda na noite de domingo, durante o primeiro debate na televisão em que Flávio e Lula ficaram frente e a frente.
Durante o debate, que ocorreu a uma semana da segunda volta, os dois adversários trocaram acusações sobre polémicas, escândalos de corrupção e referiram-se mutualmente como ladrões.
Flávio questionou o candidato do PL sobre a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha (filho de Lula), investigado por suspeita de tráfico de influência no Governo federal.
Flávio também chegou a insinuar que o PT e o Instituto Lula receberam de Vorcaro dinheiro oculto para custear um filme biográfico sobre o líder de esquerda.
Também no debate, Lula indagou, além da amizade do candidato do PL com Vorcaro, o motivo pelo qual o endereço comercial e estrutura de contabilidade de uma empresa de Flávio ser a mesma do pivô da fraude dos descontos indevidos de aposentados e pensionista.
Ainda no fim de semana, conforme noticiou o jornal Estado de S. Paulo, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou abertura de um segundo inquérito para investigar Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro com o seu amigo, o advogado Willer Tomaz.
O primeiro inquérito sobre lavagem de dinheiro, aberto em setembro, está relacionado as suspeitas envolvendo o financiamento do filme "Dark Horse".