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Retração económica acentuada está a afectar portugueses na Venezuela

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Foto Aspress

O duplo sismo de 24 de junho provocou uma forte retração na economia venezuelana, com o crescimento previsto a cair de 6,5% até junho para 2,5% em setembro, agravando as dificuldades das famílias portuguesas locais.

O alerta foi feito à Lusa pelo diretor-regional Comunidades Madeirenses e Cooperação Externa da Madeira, Sancho Gomes, no final de uma visita de 12 dias à Venezuela.

"O crescimento que estava a acontecer até junho, até aos sismos, era de cerca de 6,5% e a previsão para setembro foi de 2,5%. Portanto, houve uma retração económica bastante acentuada na Venezuela, que afeta toda a sociedade, os empresários e as famílias portuguesas, aqui residentes", disse precisando que os dados lhe foram revelados por uma instituição bancária durante um evento em que esteve presente.

Sancho Gomes destacou, no entanto, que "2,5% é mais do que o crescimento de qualquer país da União Europeia" e que "as questões económicas, já afetavam a muitas famílias" portuguesas.

"Temos muitas famílias que, infelizmente, não tiveram o sucesso, para o qual trabalharam, que [já] passavam por dificuldades e que eram apoiadas, inclusive, por organizações não governamentais de cariz humanitário. Obviamente, que muitas dessas famílias ficaram ainda mais desprotegidas", disse à Lusa.

E sublinhou que pensando nessas "centenas, talvez milhares de pessoas" que precisam de ajuda, o Governo da Madeira enviou apoios por 180.000 euros para ONG luso-venezuelanas.

Sancho Gomes explicou que na Venezuela participou em várias galas de solidariedade organizadas pela Academia do Bacalhau, com a participação do cantor madeirense Miro Freitas e o grupo luso-venezuelano Parceiros Banda Show, nas cidades de Caracas, Los Teques, Barquisimeto, Valência e Maracay, durante as quais alertou para a situação comunitária atual.

"Alertei, até exortei as pessoas, em todas as galas, a se manterem unidas na solidariedade, e para o facto de que as necessidades destas famílias não cessarão nos próximos tempos, e, portanto, será necessário continuar a apoiá-las, que, de parte do Governo [da RAM], há o compromisso de mantermos firme este apoio", disse.

Sancho Gomes explicou ainda que além de participar nas galas solidárias, esteve a acompanhar o trabalho das ONG que apoiam os portugueses e instituições que receberam apoio financeiro do Governo regional e da solidariedade de madeirenses.

Também que promoveu a cooperação nas áreas diplomática, consular, económica, cultural e educativa, articulando com autoridades diplomáticas e consulares portuguesas e autoridades da Venezuela.

"E, o programa foi integralmente cumprido, aliás, superamos claramente o inicialmente previsto", disse, sublinhando que promoveu também a madeirensidade em emotivos eventos, onde as pessoas, estiveram com o espírito solidário e também para celebrar a sua cultura e herança identitária.

"Pude acompanhar o trabalho que desenvolvido, pelo Lar Geriátrico de Maracay, pelo Lar Padre Joaquim Ferreira, pela Associação Só Bem, de Valência, pela Associação 'Regala una Sonrisa', pelas Damas de Beneficência de Caracas, e pelo Centro Luso-venezuelano de Cátia La Mar, e constatar que, de facto, os contratos programas estão a ser corretamente executados, que as verbas que o Governo Regional transferiu estão efetivamente a chegar às famílias necessitadas, e que tem sido desenvolvido um trabalho profundamente meritório", disse.

Explicou ainda que abordou a cooperação educacional com as universidades Central da Venezuela e de Carabobo, além de ter tido reuniões com o deputado Orlando Camacho e com o secretário da Economia de Carabobo para incentivar o investimento de empresas madeirenses naquela região.

"Tive a oportunidade de, junto dos nossos empresários, incentivá-los a participar na missão empresarial que está a ser organizada pela AICEP e que virá a Venezuela em novembro, porque poderá ser uma boa oportunidade para um cara a cara, entre empresários de origem portuguesa aqui na Venezuela, e empresários que venham de Portugal, de forma a estudar possibilidades de investimento", disse.

Sancho Gomes frisou ainda que os idosos portugueses dos lares da terceira idade, estão bem integrados, cuidados e acompanhados e que essas organizações têm capacidade para receber mais carenciados e afetados pelos sismos.

Também que contatou milhares de madeirenses e que "absolutamente ninguém", nem uma pessoa lhe manifestou "que queria regressar à região [Madeira]".