António Costa avisa EUA que apoio a Kiev é "única maneira" de obter paz
O presidente do Conselho Europeu advertiu hoje os Estados Unidos (EUA) que a "única maneira" de alcançar rapidamente a paz na Ucrânia é através do apoio a Kiev, exortando Washington a "fazer a sua parte".
Em conferência de imprensa no final de uma reunião da Cimeira Social Tripartida, em Bruxelas, António Costa foi questionado sobre como vê as sucessivas declarações do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que tem afirmado que a Ucrânia está a ser atacada pela Rússia "sem aviso prévio" dos parceiros, que não disponibilizaram atempadamente informações sobre os potenciais ataques russos.
Na resposta, o presidente do Conselho Europeu afirmou que a "paz sem defesa é uma ilusão".
"E quem quer, o mais rápido possível, uma paz justa e duradoura na Ucrânia, precisa de apoiar a Ucrânia com todos os meios que tiver ao seu dispor para que esta possa defender-se da agressão brutal da Rússia", defendeu.
António Costa considerou que, sobre esta matéria, a UE "está a fazer a sua parte", voltando a deixar uma mensagem para os Estados Unidos.
"O que pedimos aos nossos aliados americanos é que também façam a sua e continuem a apoiar a Ucrânia. É a única maneira de obter uma paz justa e duradoura", advertiu.
O presidente do Conselho Europeu aproveitou ainda esta pergunta para salientar que "os ataques brutais da Rússia contra a Ucrânia" nos últimos dias "mostram de maneira clara que a Rússia não está a respeitar o cessar-fogo anunciado pelo Presidente Trump no fim de semana".
Estas declarações surgem depois de, na terça-feira à noite, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter informado que a capital do país, Kiev, foi novamente atacada por um míssil balístico russo mais uma vez "sem aviso prévio de parceiros", dos quais os Estados Unidos são o mais relevante.
Nesta conferência de imprensa, António Costa foi também questionado sobre o que é que os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), na cimeira desta quinta e sexta-feira em Bruxelas, vão discutir em termos de resposta ao aumento do custo de vida.
Na resposta, o presidente do Conselho Europeu referiu que os líderes vão discutir as propostas que foram recentemente apresentadas pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e recordou que "vários países têm vindo a adotar medidas nacionais", algumas das quais precisam de respaldo europeu.
"Mas seguramente amanhã [quinta-feira] iremos discutir essa matéria, visto que vários líderes têm-se dirigido publicamente à Comissão, pedindo luz verde para poderem adotar algumas medidas de forma a procurar diminuir o impacto do brutal aumento da energia", indicou, frisando, contudo, que o princípio para essas medidas terem aval europeu "é conhecido".
"Serão sempre medidas que têm de ser temporárias e dirigidas de uma forma muito específica para resolver os problemas e procurando focar-se nas pessoas mais carenciadas", afirmou.
Já questionado se, no que se refere ao próximo orçamento comunitário, os envelopes nacionais estão salvaguardados ou se os chamados países "Amigos da Coesão", que incluem Portugal, se devem preparar para cortes, António Costa recordou que a proposta apresentada pela presidência semestral irlandesa do Conselho da UE mantém os valores para a política de coesão e Política Agrícola Comum (PAC) que estavam a ser discutidos até agora.
"E, do que tenho ouvido da parte dos países da coesão, é que, relativamente a esta proposta, estão satisfeitos", referiu.
O presidente do Conselho Europeu ressalvou, contudo, que o resultado final que vier a ser negociado entre os chefes de Estado e de Governo "assenta sempre numa base de compromisso, de responsabilidade entre todos" e é nesse sentido que a UE vai trabalhar.
"Obviamente, o desafio é simultaneamente acomodar as novas prioridades na área da competitividade, segurança e Defesa, com as políticas definidas no próprio tratado relativamente à política agrícola, à política de coesão, à proteção das regiões ultraperiféricas", afirmou.