DNOTICIAS.PT
Guerra no Irão Mundo

Riade avisa que não tolerará qualquer ameaça à liberdade de navegação no Mar Vermelho

None

A Arábia Saudita não tolerará qualquer ameaça à sua segurança ou à liberdade de navegação no Mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb, advertiu hoje o Conselho de Ministros, presidido pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

Segundo um comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial SPA, o Governo iraniano afirmou também que os rebeldes huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, vão responder pelos "crimes e ataques repetidos" contra os aeroportos e as cidades de Meca e Medina, bem como contra as instalações energéticas sauditas.

Na segunda-feira, a chefe da diplomacia da União Europeia afirmou que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita lhe pediu o reforço da presença naval europeia no Mar Vermelho, perante os ataques dos huthis.

Kaja Kallas condenou a "intensificação dos ataques dos Huthis" contra o aeroporto de Riade e adiantou que, no domingo, falou ao telefone com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan al-Saud, para perceber o que é que os europeus podem fazer para ajudar o país a lidar com a situação.

"Temos a operação Aspides e o apelo deles foi que reforçássemos esta operação, para que possa trabalhar em estreita coordenação com a força internacional a fim de manter aberto o estreito de Bab el-Mandeb e garantir a saída dos navios mercantes do Mar Vermelho", afirmou.

A operação Aspides, lançada em fevereiro de 2024, visa proteger navios comerciais e mercantes no Mar Vermelho, Golfo e Oceano Índico Ocidental de ameaças crescentes, designadamente de ataques dos grupos Huthis do Iémen.

O aviso de Riade acontece de depois de a Arábia Saudita ter atacado hoje um depósito da companhia petrolífera iemenita, a Yemen Petroleum Company, a oeste da capital, Sanaa, controlada pelos huthis desde 2014.

Antes, a coligação militar liderada pela Arábia Saudita, que intervém no Iémen desde 2015, tinha anunciado que iria bombardear o principal depósito de combustível de Sana, onde se ouviram várias explosões na capital.

Até agora, desconhece-se a extensão dos danos causados nesta importante infraestrutura de armazenamento de combustível, cuja saída de civis foi ordenada pela primeira vez pela coligação liderada por Riade, com vista a lançar uma operação "seletiva" contra os huthis, que, por sua vez, ameaçaram responder com firmeza caso a Arábia Saudita concretizasse a ameaça.

No entanto, a Yemen Petroleum Company indicou, num comunicado, ter tomado "todas as medidas preventivas necessárias para fazer face a qualquer emergência", com o objetivo de garantir o abastecimento de combustível e, assim, satisfazer as necessidades energéticas da população de Sana.

Segundo a empresa controlada pelos rebeldes, a central de al-Sabaha "não contém atualmente produtos petrolíferos", pelo que o ataque "não afeta as reservas nem o abastecimento", uma vez que o combustível foi transferido para "instalações e locais seguros, em quantidades suficientes", sem especificar quais.

Numa breve mensagem publicada na rede social X, o porta-voz militar dos huthis, Yahya Sarea, afirmou que o movimento insurgente fez frente às "formações de combate do inimigo saudita" que atacaram Sana, sem adiantar mais pormenores.

Espera-se que os huthis lancem em breve uma operação em larga escala contra a sede da petrolífera estatal saudita Aramco, em Dammam, no nordeste da Arábia Saudita, e contra uma refinaria da mesma empresa em Riade, a capital do reino saudita.

Além disso, Sarea tinha advertido anteriormente que, caso a Arábia Saudita bombardeasse Sana, os huthis atacariam também o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, que tem sido alvo de vários bombardeamentos dos insurgentes nos últimos dias, dos quais resultaram dezenas de mortos e feridos.