DNOTICIAS.PT
Alterações Climáticas Mundo

Temperaturas oceânicas atingiram mais um máximo histórico em 2025

Foto Shutterstock
Foto Shutterstock

O oceano armazenou mais calor em 2025 do que em qualquer outro ano desde o início das medições modernas, indica uma nova análise internacional publicada hoje na revista científica Advances in Atmospheric Sciences.

O estudo, envolvendo mais de 50 cientistas de 31 instituições de investigação de todo o mundo, refere que o aumento de calor do oceano o ano passado foi de 23 zettajoules (um zettajoule é um joule, a unidade padrão de energia calorífica, seguido de 21 zeros).

Tal "equivale a cerca de 37 anos de consumo global de energia primária [a que está disponível na natureza]", tendo como referência o consumo energético em 2023, adianta um comunicado divulgado pelo Instituto de Física Atmosférica, da Academia Chinesa de Ciências, ao qual está ligado o autor correspondente do estudo, Lijing Cheng.

Cobrindo cerca de 71% da superfície do planeta, o oceano absorve 30% de todas as emissões de dióxido de carbono (CO2, o mais importante dos gases com efeito de estufa) e captura 90% do calor gerado por estas emissões em excesso, sendo o principal reservatório de calor do sistema climático.

Segundo o comunicado, ao refletir a acumulação de calor armazenado no oceano, o conteúdo de calor oceânico (CCO) "fornece um dos melhores indicadores das alterações climáticas a longo prazo".

A subida da temperatura dos oceanos "impulsiona a subida do nível do mar, (...) fortalece e prolonga as ondas de calor e intensifica os fenómenos climáticos extremos, aumentando o calor e a humidade na atmosfera", que provoca a continuação do crescimento do calor dos oceanos e torna mais prováveis os recordes.

Os cientistas verificaram que o CCO atingiu em 2025 o nível mais elevado alguma vez registado, confirmando o aumento contínuo de calor nos oceanos.

A investigação mostrou ainda que o aquecimento oceânico não é uniforme, estando algumas áreas a aquecer mais rapidamente do que outras.

Em 2025, cerca de 16% da área oceânica global atingiu um CCO recorde e à volta de 33% ficou entre os três valores mais elevados alguma vez registados, estando incluídas nas áreas com maior aquecimento as zonas tropicais do Atlântico Sul e do Pacífico Norte e o Oceano Antártico.

No geral, a tendência de aquecimento oceânico é mais forte desde a década de 1990, sendo que nos últimos nove anos foram sendo atingidos recordes sucessivos.

Em relação à temperatura média anual global da superfície do mar (TSM), a atingida em 2025 foi a terceira mais quente alguma vez registada por instrumentos e manteve-se cerca de 0,5 graus Celsius (°C) acima da média de referência de 1981-2010.

O ano passado, a TSM foi ligeiramente inferior à de 2023 e 2024, principalmente devido à transição dos fenómenos climáticos naturais El Niño para La Niña no Pacífico tropical.

As temperaturas da superfície do mar afetam os padrões climáticos em todo o mundo. As mais quentes "favorecem o aumento da evaporação e chuvas mais intensas, causando assim ciclones tropicais mais fortes e outros fenómenos climáticos extremos". O ano passado contribuíram para as inundações em grande parte do Sudeste Asiático, no México e no Noroeste do Pacífico, bem como para a seca no Médio Oriente.

A análise de grupos de investigação independentes, ligados ao Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, ao programa Copernicus da União Europeia, e à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, tem por base informação de centros de dados internacionais, envolvendo três continentes: Ásia, Europa e América.

Os resultados finais do estudo serão incluídos numa coleção especial, organizada pela revista Advances in Atmospheric Sciences, sobre Alterações no Conteúdo de Calor dos Oceanos.

Veja o estudo aqui (em inglês)

Ocean Heat Content Sets Another Record in 2025 - Advances in Atmospheric Sciences

Global ocean warming continued unabated in 2025 in response to increased greenhouse gas concentrations and recent reductions in sulfate aerosols, reflecting the long-term accumulation of heat within the climate system, with conditions evolving toward La Niña during the year. In 2025, global upper 2000 m ocean heat content (OHC) increased by ∼23 ± 8 ZJ relative to 2024 according to IAP/CAS estimates. CIGAR-RT, and Copernicus Marine data confirm the continued ocean heat gain. Regionally, about 33% of the global ocean area ranked among its historical (1958–2025) top three warmest conditions, while about 57% fell within the top five, including the tropical and South Atlantic Ocean, Mediterranean Sea, North Indian Ocean, and Southern Oceans, underscoring the broad ocean warming across basins. Multiple datasets consistently indicate ocean warming, as measured by 0–2000 m OHC, increased from 0.14 ± 0.03 W m−2 (10 yr)−1 during 1960–2025 to 0.32 ± 0.14 W m−2 (10 yr)−1 during 2005–2025 (IAP/CAS), the latter being consistent with EEI (Earth’s Energy Imbalance) estimates within uncertainties. In contrast, the global annual mean sea surface temperature (SST) in 2025 was 0.49°C above the 1981–2010 baseline and 0.12 ± 0.03°C lower than in 2024 (IAP/CAS; similar in CMA-SST, FY3 MWRI SST, ERSSTv5 and Copernicus Marine data), consistent with the development of La Niña conditions, but still ranking as the third-warmest year on record.