Porto do Funchal: impacto económico em estudo e ampliação em vista
Pernoitas reforçam receitas e impacto na cidade
O aumento das pernoitas de navios de cruzeiro no Porto do Funchal traduz-se num maior encaixe em taxas portuárias, mas sobretudo num impacto económico significativo para a cidade, afirmou a presidente do Conselho de Administração da APRAM, Paula Cabaço, em resposta às questões colocadas pelos jornalistas.
“Quanto mais tempo o navio estiver atracado, maior é o número de serviços que prestamos, o que corresponde a um aumento da arrecadação da receita”, explicou. No entanto, sublinhou que o mais relevante é o efeito na economia local. “Quando os navios pernoitam, os passageiros saem à noite, frequentam a restauração e os bares, a pé ou através de autocarros, o que gera impacto financeiro directo na cidade”, afirmou.
Apesar de a APRAM ainda não conseguir quantificar esse impacto de forma detalhada, Paula Cabaço adiantou que está prevista a realização, em breve, de um estudo de impacto económico dos cruzeiros. A responsável lembrou que, actualmente, o crescimento verifica-se “em todas as linhas”, incluindo passageiros, escalas, turnarounds, pernoitas e movimento de viaturas turísticas e táxis, o que justifica uma análise mais aprofundada de cada componente. “Não há dúvidas de que as pernoitas e os turnarounds trazem um aporte financeiro quer à APRAM, quer à Região”, reforçou.
Questionada sobre a instalação do sistema energético OPS (Onshore Power Supply), Paula Cabaço confirmou que a APRAM concluiu o estudo Green Ports, que demonstra ser tecnicamente viável a sua implementação no Porto do Funchal. O próximo passo passa pela elaboração do projecto de execução e pela candidatura a fundos comunitários, tendo em conta o elevado custo do investimento.
Sobre a ampliação do Porto do Funchal, o secretário regional de Economia, José Manuel Rodrigues, afirmou que o Governo Regional tem como objectivo iniciar ainda neste mandato o concurso e o projecto da ampliação do cais da Pontinha. Trata-se, segundo o governante, de uma obra necessária face ao aumento do número de cruzeiros, mas também essencial para a protecção do cais e para permitir, no futuro, a criação de uma marina para mega-iates na bacia portuária.
Relativamente ao Porto Santo, Paula Cabaço esclareceu que o concurso para a marina está a decorrer e termina no próximo dia 19 de Janeiro, aguardando-se até lá a apresentação de propostas à APRAM.
Quanto à marina do Funchal, a responsável explicou que se trata de um projecto ambicionado, para o qual já existem estudos desenvolvidos, mas cuja concretização depende de disponibilidade orçamental. A intervenção exige uma ampliação do Cais 8 em cerca de 60 metros, integrada num eventual futuro projecto de ampliação do Cais 3, o que representa um investimento elevado que, para já, não tem financiamento assegurado.
As declarações de Paula Cabaço e de José Manuel Rodrigues foram feitas por ocasião da conferência de imprensa sobre o ‘Movimento dos Portos da Madeira’, realizada esta manhã na Gare Marítima do Porto do Funchal, onde foram apresentados os principais indicadores da actividade portuária regional e as perspectivas de investimento para os próximos anos.