Portugal vai reforçar contribuição para compra de geradores por Kiev
O ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou hoje que Portugal vai reforçar a "contribuição para a compra de geradores" pela Ucrânia e afirmou que Lisboa será "uma força" para que a adesão europeia de Kiev aconteça "o mais depressa possível".
Em declarações aos jornalistas à margem da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) em Bruxelas, Paulo Rangel salientou que a situação na Ucrânia é "muito difícil por causa do ataque a infraestruturas civis energéticas, com um dos invernos mais rigorosos de sempre".
Perante essa situação, o chefe da diplomacia portuguesa salientou que a UE tem "contribuído muito para o Fundo de [apoio à] Energia" da Ucrânia e recordou que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, quando esteve em Kiev em dezembro "já tinha feito uma contribuição" para esse fundo.
"Nós vamos reforçar nos próximos dias essa contribuição para a compra de geradores e para o fornecimento de energia elétrica", anunciou Rangel, que destacou que há "muitos Estados" europeus a fazer também "um esforço" para apoiar Kiev do ponto de vista energético.
O chefe da diplomacia portuguesa sublinhou ainda que, na parte da reunião de hoje em que foi abordada a guerra na Ucrânia, e que contou com a participação por videoconferência do ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, também se "falou muito, sem pôr datas concretas" sobre a perspetiva do alargamento e da adesão de Kiev à UE.
Rangel referiu que o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tem expressado o desejo de aderir ao bloco europeu em 2027 e disse que, da parte da UE, "há uma abertura para, havendo paz, uma estabilização da situação e uma ausência de guerra, se fazer esse caminho que pode passar por um período de transição".
Questionado se, para o Governo português, a meta de 2027 é demasiado ambiciosa, Rangel não respondeu diretamente, mas salientou que Portugal "é um país muito a favor do alargamento, pelo menos desde que este Governo está em funções".
"Portanto, nós seremos uma força no sentido de facilitar que [a adesão] seja o mais depressa possível", assegurou, reiterando que, no caso dos processos de adesão "que possam ser mais difíceis", o que disse também ser o caso dos países dos Balcãs Ocidentais, deve ser ponderada a possibilidade de passarem por "períodos de transição".
"São modelos digamos mistos, em que [esses países] já participam em certos programas, já têm determinados apoios de financiamentos, que até servirão para poder fechar depois esses dossiês, criando desenvolvimento interno", referiu.
Por sua vez, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, defendeu, em conferência de imprensa no final da reunião, que a energia "é a nova linha da frente" na guerra na Ucrânia e salientou que o bloco europeu está a "responder com o seu maior pacote de ajuda de inverno de sempre".
"Só hoje, fornecemos mais 500 geradores e 50 milhões de euros em apoio energético. No total, o nosso Fundo para a Energia já ultrapassou 1,6 mil milhões de euros", frisou, apesar de reconhecer que "isso não é suficiente".
"É por isso que vamos propor um grupo de trabalho, entre Bruxelas e Kiev, para coordenar melhor o apoio energético", disse.
Kaja Kallas referiu ainda que, na reunião de hoje, foi discutida a proposta da Estónia para proibir a entrada de combatentes russos no espaço europeu de livre circulação Schengen, que foi "apoiada por muitos Estados-membros".
A entrada desses combatentes no espaço europeu "coloca um sério risco de segurança para a Europa e, por isso, concordámos em voltar a falar sobre esta proposta e 'testar o apetite' dos Estados-membros", disse Kallas.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.