Kiev trabalha com Musk para que drones russos deixem de utilizar satélites Starlink
A Ucrânia divulgou hoje que está a trabalhar com a empresa SpaceX, do multimilionário Elon Musk, para impedir que a Rússia continue a utilizar a ligação à Internet fornecida pelos satélites Starlink nos drones envolvidos em operações militares.
"Horas depois de drones russos com ligação Starlink terem aparecido sobre cidades ucranianas, a equipa do Ministério da Defesa contactou a SpaceX [proprietária da rede de satélites Starlink] e propôs formas de resolver esta questão", escreveu o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, nas redes sociais.
A SpaceX (Space Exploration Technologies Corp) é uma empresa aeroespacial privada fundada pelo empresário norte-americano e sul-africano Elon Musk em 2002 que detém a Starlink, divisão que opera a maioria dos satélites do mundo com Internet de banda larga de alta velocidade.
O ministro ucraniano agradeceu à presidente da empresa, Gwynne Shotwell, e ao seu proprietário, Elon Musk, pela "rápida resposta", lembrando a importância para a Ucrânia da permissão concedida pelo multimilionário ao exército ucraniano para utilizar a Starlink.
A Ucrânia tem denunciado o uso de comunicações Starlink em drones pelas forças armadas russas no conflito desde o final de dezembro.
Devido às sanções norte-americanas em vigor, a SpaceX está proibida de oferecer serviços à Rússia, mas o exército russo terá obtido acesso à tecnologia importando os terminais necessários através de países terceiros.
No início do segundo mandato do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em janeiro do ano passado, Musk era uma das figuras mais influentes da administração norte-americana e um dos seus mais acérrimos críticos da Ucrânia.
Apesar de apoiar a causa ucraniana, irritou Kiev ao sugerir um referendo na península da Crimeia, ocupada pela Rússia desde 2014, como parte da solução para o conflito russo-ucraniano.
O multimilionário provocou ainda indignação na Ucrânia ao impedir o seu exército de utilizar o Starlink para realizar um ataque à Crimeia, alegando que não queria ser parte direta do conflito.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).