Questão territorial dominará nova ronda de negociações em Abu Dhabi
A questão territorial voltará a ser o principal foco da segunda ronda de negociações entre a Rússia e a Ucrânia, mediada pelos Estados Unidos e agendada para domingo nos Emirados Árabes Unidos, em Abu Dhabi, confirmou hoje o Kremlin.
"A questão territorial é a mais importante", explicou Yuri Ushakov, conselheiro para os assuntos internacionais da presidência russa, acrescentando, em declarações à televisão estatal, que, além do território, "muitos outros assuntos permanecem na agenda dos negociadores".
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou esta semana que "não é segredo para ninguém" que a questão territorial, integrada na chamada "Fórmula de Anchorage", é de "grande importância" para Moscovo.
Segundo o Kremlin, a Rússia não declarará um cessar-fogo enquanto as forças ucranianas não se retirarem do Donbass (leste ucraniano), região onde Kiev continua a controlar mais de um quinto da área de Donetsk.
Peskov sublinhou que esta fórmula foi acordada pelos presidentes russo e norte-americano Vladimir Putin e Donald Trump na cimeira realizada em agosto de 2025 no Alasca, cabendo agora aos especialistas e grupos de trabalho reunidos em Abu Dhabi a sua concretização.
Relativamente às garantias de segurança para a Ucrânia, Ushakov afirmou que "não existe qualquer consenso" com o lado russo.
Horas antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, declarou que Moscovo desconhece a natureza das garantias de segurança oferecidas por Washington a Kiev no âmbito das negociações.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou, por sua vez, que o documento relativo às garantias de segurança norte-americanas está pronto para ser assinado.
Sobre esta matéria, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, informou o Senado (câmara alta do Congresso norte-americano) que as medidas poderão incluir o envio de tropas europeias para o terreno, hipótese rejeitada por Moscovo, mas não a presença de forças norte-americanas.
Representantes ucranianos e russos estiveram envolvidos no fim de semana passado numa primeira ronda de negociações em Abu Dhabi sob mediação norte-americana.
A delegação da Rússia foi liderada pelo almirante Igor Kostiukov, número dois do Estado-Maior e chefe da secreta militar (GRU), incluindo apenas militares.
Já a delegação ucraniana foi integrada, entre outros, pelo chefe da secreta militar, Kyrylo Budanov, pelo líder parlamentar David Arakhamia e pelo secretário do Conselho de Segurança Nacional, Rustem Umerov.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).