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Governo Regional Madeira

Albuquerque afasta venda imediata do Hospital e defende estudo técnico de 107 milhões

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Foto VH

O presidente do Governo Regional afirmou que a eventual venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça não é uma decisão emocional nem imediata, sublinhando que se trata de uma matéria que apenas será equacionada depois de 2030 e já fora do seu mandato.

“Nós não trabalhamos sobre o joelho. Esta não é uma questão afectiva”, afirmou Miguel Albuquerque, esclarecendo que a única decisão tomada até ao momento foi cumprir aquilo que considera ter sido uma obrigação do Governo: mandar elaborar um estudo técnico sobre os custos de conversão do edifício numa estrutura residencial para idosos.

De acordo com esse estudo, a adaptação do Hospital Dr. Nélio Mendonça, um edifício com quase 60 anos, às exigências actuais de um lar implicaria um investimento estimado em 107 milhões de euros. Um valor que, segundo o governante, torna essa solução financeiramente desaconselhável. “Manter uma estrutura desta idade e adaptá-la às novas gerações de lares tem custos muito elevados, pelas razões técnicas que estão identificadas”, explicou.

Miguel Albuquerque rejeitou que tenha existido qualquer erro político ao avançar publicamente com a possibilidade de venda da unidade hospitalar, frisando que a discussão foi sempre sustentada em dados técnicos e financeiros. “O que fizemos foi estudar. Decidir sem estudar é que seria irresponsável”, vincou.

O presidente do Governo Regional esclareceu ainda que a ideia inicialmente considerada passava por aproveitar aquela área para outras respostas sociais ou de cuidados continuados, uma opção que continua em aberto, mas que será decidida no futuro. “Essa decisão não será minha. Não serei eu a decidir o destino final daquele edifício”, afirmou.

Albuquerque recordou que existe uma resolução do Conselho de Ministros aprovada durante o Governo de António Costa que enquadra esta matéria, sublinhando que o eventual encaixe financeiro resultante da alienação do imóvel teria como objectivo contribuir para a amortização da quota-parte regional na construção do novo hospital.

“O dinheiro não é do Governo, é dos contribuintes”, frisou, lembrando que a Região terá de suportar uma parte significativa do investimento no novo hospital, cujo custo global poderá ultrapassar os 200 a 250 milhões de euros. “Se conseguirmos gerar receitas para ajudar a pagar essa obra estruturante para a saúde da Madeira, isso faz toda a lógica do ponto de vista financeiro”, sustentou.

O presidente do Governo Regional assumiu ainda não ter receio da polémica nem da crítica pública. “Não tenho medo de dizer a verdade às pessoas, nem receio que digam mal de mim nas redes sociais”, afirmou, defendendo que a principal obrigação dos responsáveis políticos é explicar com clareza as opções tomadas e os custos associados.

Para Miguel Albuquerque, a discussão em torno do Hospital Dr. Nélio Mendonça deve ser feita com base em factos, números e enquadramento legal, e não em percepções ou leituras emocionais. “As pessoas têm de conhecer a realidade. Só assim podem avaliar as decisões com justiça”, concluiu.