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Trump mereceria Nobel com paz "justa e duradoura" na Ucrânia

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A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, admitiu hoje nomear Donald Trump para o Prémio Nobel da Paz, se o Presidente norte-americano conseguir "estabelecer uma paz justa e duradoura na Ucrânia".

"Espero que um dia possamos atribuir um Prémio Nobel da Paz a Donald Trump, e estou convencida de que, se ele fizer a diferença (...) estabelecendo uma paz justa e duradoura na Ucrânia, então nós também poderemos, em última instância, nomeá-lo para o Prémio Nobel da Paz", disse Meloni.

A primeira-ministra italiana falava em Roma numa conferência de imprensa conjunta com o chanceler alemão, Friedrich Merz, após uma cimeira intergovernamental entre Itália e Alemanha, em que foram assinados vários acordos bilaterais para reforçar a cooperação em questões estratégicas, bem como em matéria de segurança e defesa.

Donald Trump, que na quinta-feira apresentou o seu novo "Conselho da Paz" --- inicialmente concebido para supervisionar o cessar-fogo em Gaza e a reconstrução do território, mas que se transformou num órgão destinado a trabalhar na resolução de conflitos em todo o mundo --- queixa-se regularmente de não ter recebido o Prémio Nobel da Paz no ano passado, apesar da sua incansável campanha para o conquistar.

O mais recente prémio foi atribuído pela Fundação Nobel, da Noruega, à líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, que dedicou o prémio a Donald Trump e lhe entregou a respetiva medalha na semana passada.

Numa mensagem ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, tornada pública na segunda-feira, Donald Trump citou a sua derrota na corrida ao prestigiado prémio para justificar as suas posições sobre tomar controlo da Gronelândia, contra a vontade deste território autónomo e do Reino da Dinamarca, que o tutela.

"Dado que o vosso país decidiu não me atribuir o Prémio Nobel da Paz por ter posto fim a mais de oito guerras, já não me sinto obrigado a pensar apenas na paz", disse o presidente norte-americano a Jonas Gahr Støre.

Tal como outros países europeus, a Itália foi convidada a participar no "Conselho da Paz" de Donald Trump, no seu atual formato, mas Giorgia Meloni excluiu hoje essa hipótese, tal como o homólogo alemão, na linha do que outros países europeus têm afirmado.

Meloni e Merz disseram partilhar o objetivo de estabilizar o Médio Oriente, mas consideraram que as "estruturas de governação" propostas pela Casa Branca entram em conflito com os respetivos quadros jurídicos dos dois países.

"Estamos prontos para conversar sobre novas formas de cooperação com os Estados Unidos", disse Merz.

O chefe de Governo alemão admitiu, contudo, estar disponível para participar pessoalmente no Conselho de Paz se este contemplar uma segunda fase do processo sobre Gaza, mas não pode aceitar as atuais estruturas de governação. 

Meloni afirmou que a Itália enfrenta "problemas constitucionais" com a atual estrutura da iniciativa e avançou ter pedido a Trump que reabrisse o formato do Conselho para permitir a integração de países europeus com quadros jurídicos semelhantes.

"Temos uma postura aberta e disposta, mas existem objetivamente problemas com a forma como a iniciativa foi estruturada e, para nós, estas são questões constitucionais", afirmou a primeira-ministra italiana.

Apesar das objeções, Meloni reiterou a disponibilidade e o interesse em participar e considerou que a presença de países como a Itália e a Alemanha podia "fazer a diferença".

A líder italiana defendeu ainda que a participação europeia é essencial para consolidar uma trégua "complexa e frágil" e, a longo prazo, avançar para uma solução baseada na criação de dois Estados no Médio Oriente.