Alemanha e Itália invocam razões jurídicas para não integrar Conselho de Paz
A primeira-ministra italiana e o chanceler invocaram hoje, em Roma, razões jurídicas e constitucionais para não participarem no Conselho de Paz para a Faixa de Gaza proposto pelo Presidente dos Estados Unidos.
Numa conferência de imprensa conjunta, Giorgia Melonios e Friedrich Merz afirmaram partilhar o objetivo de estabilizar o Médio Oriente, mas consideraram que as "estruturas de governação" propostas pela Casa Branca entram em conflito com os respetivos quadros jurídicos dos dois países.
"Estamos prontos para conversar sobre novas formas de cooperação com os Estados Unidos", disse Merz.
O chefe de Governo alemão admitiu, contudo, estar disponível para participar pessoalmente no Conselho de Paz se este contemplar uma segunda fase do processo sobre Gaza, mas não pode aceitar as atuais estruturas de governação.
Merz disse que ter comunicado a Donald Trump, há algumas semanas, a disponibilidade para integrar um órgão que acompanhasse o processo de paz em Gaza.
Por sua vez, Meloni afirmou que a Itália enfrenta "problemas constitucionais" com a atual estrutura da iniciativa e avançou ter pedido a Trump que reabrisse o formato do Conselho para permitir a integração de países europeus com quadros jurídicos semelhantes.
"Temos uma postura aberta e disposta, mas existem objetivamente problemas com a forma como a iniciativa foi estruturada e, para nós, estas são questões constitucionais", afirmou a primeira-ministra italiana.
Apesar das objeções, Meloni reiterou a disponibilidade e o interesse da Itália em participar e considerou que a presença de países como a Itália e a Alemanha podia "fazer a diferença".
A líder italiana defendeu ainda que a participação europeia é essencial para consolidar uma trégua "complexa e frágil" e, a longo prazo, avançar para uma solução baseada na criação de dois Estados no Médio Oriente.