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Costa diz ter "sérias dúvidas" sobre Conselho de Paz proposto por Trump

Foto OLIVIER HOSLET/EPA
Foto OLIVIER HOSLET/EPA

O presidente do Conselho Europeu disse hoje ter "sérias dúvidas" quanto ao Conselho de Paz proposto por Donald Trump, mas manifestou disponibilidade para trabalhar com os Estados Unidos se o intuito for que sirva de administração transitória em Gaza.

"Temos sérias dúvidas quanto a vários elementos da Carta do Conselho da Paz, relacionadas com o seu âmbito, a sua governação e a sua compatibilidade com a Carta das Nações Unidas", afirmou António Costa em conferência de imprensa de apresentação das conclusões da cimeira extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas.

Costa referiu, contudo, que a União Europeia (UE) está pronta "para trabalhar em conjunto com os Estados Unidos na implementação" do plano de paz para a Faixa de Gaza, "com um Conselho de Paz a desempenhar a sua missão como administração transitória, em conformidade com a resolução 2803 do Conselho de Segurança das Nações Unidas".

Esta tarde, à chegada à cimeira extraordinária, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, avisou hoje que "qualquer visão alternativa às Nações Unidas" é desajustada e não terá o acolhimento de Portugal, apesar de admitir que um Conselho de Paz para monitorizar a situação na Faixa de Gaza poderá ter "alguma participação".

"É importante que fique muito assente que qualquer visão alternativa às Nações Unidas não terá o nosso acolhimento. Não há alternativa às Nações Unidas, é nas Nações Unidas que o contexto multilateral se expressa e a concertação das Nações se deve evidenciar", acentuou.

No final desta cimeira, à semelhança de outros líderes europeus, como o Presidente de França, Emmanuel Macron, ou o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, Luís Montenegro não prestou declarações aos jornalistas, ao contrário do que é habitual.

Os líderes da União Europeia reuniram-se esta quinta-feira numa cimeira extraordinária em Bruxelas para discutir as relações transatlânticas após ameaças dos Estados Unidos, entretanto retiradas, de impor tarifas a países que se opõem às intenções norte-americanas sobre a Gronelândia.