PCP acusa Montenegro de não se posicionar para garantir apoio alternado de Chega e PS
O secretário-geral do PCP acusou hoje o primeiro-ministro de não se posicionar sobre a segunda volta das presidenciais para garantir, alternadamente, o apoio de Chega e PS, tendo Luís Montenegro recusado qualquer "natureza tática" nas suas escolhas.
As eleições presidenciais voltaram a entrar no debate quinzenal no parlamento pela mão do líder do PCP, Paulo Raimundo, que insistiu com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre o seu não posicionamento em relação à segunda volta das presidenciais entre André Ventura e António José Seguro.
Para o comunista, está em causa uma opção tática de Montenegro para garantir que o Governo tem o apoio necessário de PS e Chega em diferentes matérias.
"Nós percebemos a tática. Quer manter no PS uma reserva para quando for necessário acenar a chantagem o PS dar-lhe a mão em questões estruturais, como fez no Orçamento de Estado deste ano. Ao mesmo tempo, quero manter a continuidade do apoio do Chega naquilo que é decisivo para a sua própria governação. Porque sabe que o Chega e o candidato André Ventura nunca lhe faltarão", argumentou.
Raimundo disse que o Chega "nunca faltará" ao Governo se for para descer o IRC, rever o fim da derrama estadual, aprovar o pacote laboral ou contribuir para o "desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde", e questionou o primeiro-ministro sobre se o seu verdadeiro objetivo é "salvar a sua desastrosa política".
Na réplica, o primeiro-ministro defendeu que, ao contrário do que disse Raimundo, as políticas do executivo "são virtuosas" e assegurou que a opção que tomou em relação às presidenciais não foi feita por "nenhum elemento de natureza tática face às demais forças políticas".
"Participámos, enquanto estruturas partidárias, numa campanha eleitoral, tínhamos a convicção de que o candidato que apoiávamos era o candidato mais bem preparado para esta função e correspondia à representação do nosso espaço político (...) Cada um de nós faz agora a avaliação daquelas que são as opções e exercerá o seu direito de voto. Os espaços políticos que estão em confrontação neste momento não são o nosso", acrescentou.
Na intervenção seguinte, Paulo Raimundo começou por dizer que se a opção de Montenegro não é tática, isso "ainda é mais grave" e mudou de assunto para desafiar o líder do Governo a posicionar-se sobre a proposta dos comunistas para a descida do IVA em bens essenciais como a eletricidade, gás e telecomunicações, bem como para fixar o preço da botija do gás.
Luís Montenegro respondeu que o Governo tem apostado numa política fiscal focada na descida progressiva dos impostos sobre os rendimentos do trabalho, recusando entrar "num leilão fiscal para, de forma desligada e desconexa, andar a intervir isoladamente em cada um dos impostos".
Paulo Raimundo falou também do pacote laboral, afirmando que o primeiro-ministro "procura agora ganhar tempo" perante a greve geral que mostrou a "força e a determinação dos trabalhadores" contra a proposta do Governo.
"Olhe para a realidade. O seu pacote laboral do PSD, do CDS, do Chega e IL está rejeitado e vai ser retirado mais cedo ou mais tarde. Aproveite esta oportunidade para impor o pacote que se impõe: Salários, dignidade, respeito, horários, tempo a viver. Está aberta esta oportunidade", apelou.
O primeiro-ministro, na réplica, frisou que está a decorrer o diálogo com os parceiros sociais e que aguarda para "ver as conclusões" dessa negociação.