Sérgio Gonçalves considera que Marcelo fez "um bom discurso"
Conheça as reacções de vário eurodeputados à intervenção do Presidente da República na sessão solene dos 40 anos de adesão de Portugal à UE
O discurso de Marcelo Rebelo de Sousa na sessão comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE) deixou o eurodeputado madeirense agradado.
"Eu acho que foi um discurso positivo e reparei, inclusive na reacção de outros deputados de outras nacionalidades que acolheram muito bem um discurso. Sérgio Gonçalves
Sérgio Gonçalves também considera que o discurso é "mobilizador e deu relevo àquilo que é a União Europeia, pois falou nos benefícios que a integração de Portugal e também de Espanha renderam aos nossos países e povos", um sentimento que para além de maioritário em todos os Estados-membros da Europa que na sua óptica Marcelo Rebelo Sousa teve o condão de sublinhar.
Fê-lo por via do efeito positivo, mas também pelo compromisso que Portugal tem em pertencer à Europa, em defender a Europa e em ser também um player importante a nível europeu.
Embora reconheça que muitas das vezes possa ser dito "se calhar de ânimo mais leve, embora seja absolutamente verdade", julga que a posição geostratégica e a dimensão atlântica que Portugal dá à Europa é feita através "das nossas duas regiões autónomas, que são também regiões ultraperiféricas, a Madeira e os Açores.
"Toda a nossa zona económica exclusiva, que nós podemos olhar de uma lógica meramente territorial,, é, termos de defesa e segurança, uma fronteira também da Europa, em termos daquilo que poderá existir, em termos de matérias raras na exploração dos oceanos, de aumentarmos a nossa soberania também a nível energético com renováveis oceânicas, projectos de ciência, de investigação, desenvolvimento, tudo isso tem relevo e pode ser replicado depois ao nível europeu, ao nível da União Europeia, e acho que o presidente Marcelo passou essa mensagem, não só dos benefícios que a Europa tem para Portugal, mas também das vantagens para a Europa de ter Portugal como membro, como um membro activo, participativo e que contribuirá activamente para nós ultrapassarmos os desafios que temos", observa.
De resto, PS, PSD e CDS saudaram a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa no Parlamento Europeu, enquanto o Chega criticou-o por não falar dos "problemas de hoje" e o PCP discordou da avaliação feita quanto aos benefícios da adesão.
Em declarações aos jornalistas no Parlamento Europeu, a eurodeputada do PS Marta Temido salientou que reteve a ideia de que os portugueses têm origens de "vários sítios". "É muito interessante a referência que faz, e muito importante neste momento em que nos encontramos da nossa vida política nacional, quando diz que não há portugueses puros", disse, elogiando ainda as ideias transmitidas pelo Presidente e pelo Rei de Espanha de que a UE, no actual "mundo de caos, incerteza e a instabilidade", é um "exemplo e mostruário de valor, princípios e comércio baseado em relações justas e equitativas".
O eurodeputado do PSD Sebastião Bugalho optou por destacar do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa a ideia de que é necessária "uma reaproximação do Reino Unido à Europa", considerando que Portugal pode ser um "ponto especial" nessa reaproximação por ser um aliado histórico e de longa data de Londres. "Parece-me que Marcelo Rebelo de Sousa está a apontar uma oportunidade com muita pertinência, que acho que nós, eurodeputados portugueses, não podemos ignorar e que eu espero que o Conselho e a Comissão também não ignorem", pediu, saudando ainda o facto de Marcelo ter observado que há "um sinal de intermitência" na relação com os Estados Unidos.
O eurodeputado do Chega Tiago Moreira de Sá considerou que Marcelo fez um "bom discurso", mas lamentou que o Presidente da República não tenha falado sobre os "principais problemas dos dias de hoje", referindo-se à "imigração maciça e descontrolada, os problemas de segurança, a estagnação económica das classes médias ou a crise demográfica". Sobre a ideia de que "não há portugueses puros, mas diversos", o eurodeputado do Chega considerou que "isso é uma evidência" e, questionado se não viu nessa mensagem uma crítica indirecta a André Ventura, respondeu que, se houve essa crítica, é errada porque o Presidente não deve "tomar partido na luta eleitoral".
A eurodeputada da IL, Ana Vasconcelos considerou que o dia de hoje "é muito importante para Portugal e Espanha", afirmando ser um orgulho pertencer à UE, enquanto a deputada do CDS Ana Miguel Pedro disse que Marcelo fez um "bom discurso, convictamente europeísta" e de apelo à união, o que disse ser importante "num contexto internacional marcado por grande instabilidade".
Em sentido contrário, o eurodeputado do PCP João Oliveira disse não acompanhar o Presidente da República quanto aos benefícios que associou à adesão à UE, frisando que, nos últimos 40 anos, Portugal "se atrasou comparativamente aos outros países, particularmente com economias mais desenvolvidas". "É um país que é hoje mais dependente na produção alimentar, industrial, num conjunto de aspectos absolutamente decisivos em que os nossos sectores produtivos foram duramente penalizados pelas políticas da UE, um país que vê sacrificada a sua soberania", disse, reiterando que o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa "não coincide com a avaliação" que o PCP faz da adesão à UE.