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Costa convoca líderes da UE para cimeira sobre tensões com EUA

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O presidente do Conselho Europeu, António Costa, convocou hoje uma cimeira europeia para debater as tensões relativas às ameaças norte-americanas sobre a Gronelândia, que deverá acontecer em Bruxelas na quinta-feira.

Depois de ter ouvido os líderes da União Europeia (UE) e na sequência da subida de tom do Presidente norte-americano, Donald Trump, com avisos de imposição de tarifas a seis Estados-membros (e outros dois países europeus), António Costa anunciou hoje em comunicado que, "dada a importância dos recentes desenvolvimentos e a fim de reforçar a coordenação" no espaço comunitário, decidiu "convocar uma reunião extraordinária do Conselho Europeu nos próximos dias".

Fontes europeias indicaram à Lusa que a reunião extraordinária do Conselho Europeu se deve realizar na quinta-feira presencialmente em Bruxelas, mas a data ainda tem de ser confirmada.

No comunicado, António Costa destacou existir, entre os líderes europeus, "unidade em torno dos princípios do direito internacional, da integridade territorial e da soberania nacional", "unidade no apoio e na solidariedade com a Dinamarca e a Gronelândia" e ainda "reconhecimento do interesse transatlântico comum na paz e na segurança no Ártico, nomeadamente através da NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte]".

Após ter ouvido os chefes de Governo e de Estado da União, o presidente do Conselho Europeu assinalou ainda o "entendimento comum de que as tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e são incompatíveis com o acordo comercial UE-EUA".

Evidente ficou ainda, de acordo com o antigo primeiro-ministro português, a "disponibilidade para defesa contra qualquer forma de coação" e para "continuar a colaborar de forma construtiva com os EUA em todas as questões de interesse comum".

Hoje mesmo, realizou-se em Bruxelas uma reunião de emergência dos embaixadores permanentes dos Estados-membros da UE, num contexto de tensões sobre o território autónomo dinamarquês, alvo de pretensões do Presidente norte-americano, Donald Trump.

A reunião foi convocada pela presidência cipriota do Conselho da União depois de Donald Trump ter dito que irá cobrar tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre mercadorias de oito países europeus devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).

Há cerca de um ano, quando tomou posse para um segundo mandato à frente da Casa Branca, Donald Trump avançou com tarifas contra vários territórios, entre os quais a UE, ameaças que foram porém sanadas através de um acordo comercial assinado por Bruxelas e Washington no verão passado que previa um limite máximo de 15% de direitos aduaneiros.

Certo é que, perante as tensões comerciais do ano passado, a UE chegou a delinear um pacote de tarifas retaliatórias 93 mil milhões de euros aos Estados Unidos, que está congelado até fevereiro, podendo o bloco comunitário recorrer a tal lista caso as novas ameaças de Trump se concretizem.

Donald Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca e membro da NATO, considerando que qualquer coisa menos do que a ilha ártica estar em mãos americanas seria inaceitável.

A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.