ONG e bloco opositor contam entre 139 e 155 presos políticos libertados
Entre 139 e 155 presos políticos foram libertados na Venezuela desde 08 de Janeiro, segundo a contagem da organização não-governamental (ONG) Foro Penal e da maior coligação da oposição, a Plataforma Unitária Democrática (PUD).
Através da rede social X (antigo Twitter), Gonzalo Himiob, vice-diretor do Foro Penal, organização dedicada à defesa dos presos políticos, indicou que até este sábado às 17:00 locais (21:00 TMG), contabilizava 139 libertações das prisões venezuelanas.
Por sua vez, a PUD registava, até às 17:20 locais de sábado, 155 libertações e pediu que se acelerassem os processos de libertação para que "finalmente cessasse o sofrimento dos presos políticos e dos seus familiares, que mantiveram uma vigília permanente nas imediações de muitos dos centros penitenciários".
Familiares de presos políticos e ativistas de direitos humanos realizaram, na noite de sábado, uma vigília do lado de fora de El Helicoide, sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) em Caracas, pedindo a "quem está à frente das instituições" que cumpra com a libertação "total", "imediata" e "sem condições" de todos esses detidos.
"Não estamos a pedir migalhas. Não estamos a pedir favores. Como familiares, estamos a exigir que um compromisso seja cumprido, que a palavra dada seja honrada", afirmou Diego Casanova, acompanhado por vários familiares, que seguravam cartazes com fotos dos seus parentes detidos.
Ao seu lado, Valeria Somaza, irmã do ativista político Luis Somaza, alertou sobre "a ansiedade" que os presos políticos sentem pelo processo de libertação "gota a gota".
"Este modelo de libertação que tem ocorrido tem sido parte da tortura que nos infligem", sublinhou Valeria Somaza.
O presidente do parlamento, Jorge Rodríguez, anunciou em 08 de janeiro a libertação de um "número significativo" de pessoas, o que gerou expectativas nos familiares dos presos políticos, que desde então têm passado a noite à porta de várias prisões à espera das libertações.
A organização Provea, dedicada à defesa dos direitos humanos, afirmou recentemente que "continuam as demoras indevidas e os abusos autoritários", o que, na sua opinião, impede a concretização das libertações anunciadas.
O Governo venezuelano afirma que o país está "livre de presos políticos" e que aqueles que são assim designados estão encarcerados por "cometerem crimes terríveis".