UE recomenda às companhias aéreas que evitem espaço aéreo iraniano
A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) recomendou hoje às companhias aéreas que evitem o espaço aéreo iraniano, alertando para um "alto risco para voos civis", num momento de incerteza sobre uma possível ação militar dos EUA.
Num boletim informativo, a agência aconselhou as companhias aéreas a não "operarem no espaço aéreo iraniano" a qualquer altitude.
Em concreto, alertou para "a situação atual e o potencial de ação militar dos EUA, que colocou as forças de defesa aérea iranianas em estado de alerta elevado", aumentando o risco de "identificação errónea".
"A presença e a possível utilização de uma vasta gama de armas e sistemas de defesa aérea, juntamente com respostas imprevisíveis do Estado e a potencial ativação de sistemas SAM (mísseis terra-ar), criam um elevado risco para os voos civis", sublinhou a EASA.
Os protestos relacionados com o custo de vida eclodiram no Irão em 28 de dezembro, tornando-se um dos maiores movimentos de oposição ao regime desde a proclamação da República Islâmica em 1979.
A organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, reportou até agora pelo menos 3.428 mortos, casos verificados pela IHR ou por fontes independentes.
Outras estimativas apontam para um número de mortos superior a 5.000, ou mesmo 20.000, segundo a IHR, uma vez que o bloqueio da Internet dificulta a verificação por parte das ONG e dos meios de comunicação social.
O canal de notícias da oposição Iran International, que opera a partir do estrangeiro, afirma que pelo menos 12.000 pessoas foram mortas, citando fontes governamentais e de segurança de alto nível.
Até quarta-feira, os Estados Unidos ameaçavam com uma intervenção militar caso o Irão não abandonasse os seus planos de executar manifestantes presos.
Alertados pelos seus aliados do Golfo sobre as potenciais repercussões na região, Washington suavizou a sua posição, embora tenha reiterado na quinta-feira que "todas as opções permanecem em cima da mesa".
Já hoje, o Presidente norte-americano, Donald Trump, agradeceu ao regime iraniano por ter cancelado "todos as execuções planeadas" de manifestantes detidos, depois de ter ameaçado Teerão com "graves consequências" caso a repressão dos protestos continuasse.