Visita de Corina Machado a Trump vai esclarecer planos dos EUA
A antiga chefe da diplomacia mexicana disse hoje acreditar que a visita a Washington da líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado pode ajudar a perceber os planos dos EUA para o país.
"Acho que [a visita, na quinta-feira] vai dar muitas pistas sobre o que acontecerá a seguir relativamente a eleições livres e justas no futuro da Venezuela", afirmou Vanessa Rubio-Márquez, durante um debate organizado pelo centro de estudos britânico Chatham House, em Londres.
A antiga secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e senadora mexicana, atualmente professora numa universidade em Londres, considerou que o futuro do país sul-americano depende da realização de eleições livres e do restabelecimento da democracia, mas reconheceu que "levará algum tempo".
"São necessários vários passos, várias etapas. É muito complexo", avisou a académica durante o debate intitulado "Venezuela, petróleo e ordem: O que acontecerá agora com a segurança regional após os EUA terem detido Maduro?".
O Presidente norte-americano, Donald Trump, vai receber na quinta-feira a líder da oposição venezuelana e vencedora do Prémio Nobel da Paz em 2025 María Corina Machado, que saudou a intervenção dos EUA na Venezuela já duas semanas atrás.
No mesmo evento em Londres, o general britânico aposentado Richard Barrons reconheceu que a operação militar norte-americana para capturar o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi "um grande sucesso", apesar da dificuldade, pois não foram registadas baixas do lado dos EUA.
No entanto, retirar o chefe de Estado não é uma garantia de que vai conseguir governar a Venezuela e lembrou intervenções militares internacionais nos Balcãs, Kosovo, Iraque ou Afeganistão, advertiu.
"Uma coisa é destituir o líder de um Estado onde toda a população está grata e lhe é fiel, e outra coisa é destituir o chefe de Estado, e o que se tem é uma população que está ambivalente em relação à sua chegada", salientou o antigo militar.
Barrons disse suspeitar que os EUA "não sabem como funciona [o país], porque não analisaram muito de perto o que precisam fazer para manter a Venezuela cooperativa e flexível depois de removerem o chefe de Estado".
A 03 de janeiro, os Estados Unidos realizaram uma operação militar para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, a congressista Cilia Flores, anunciando que iam governar o país até se concluir uma transição de poder.
Maduro e Flores foram presentes a 05 de janeiro num tribunal federal em Nova Iorque, tendo-se declarado inocentes de todas as acusações, e vão continuar detidos até à próxima audiência, agendada para 17 de março.
Nicolás Maduro é acusado nos Estados Unidos de quatro crimes federais: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir tais armas em apoio de atividades criminosas, além de colaboração com organizações classificadas como terroristas por Washington.
Em Caracas, por decisão do Supremo Tribunal, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, tomou posse como Presidente interina do país, com o apoio das Forças Armadas.