Laurissilva mantém 98% da floresta natural em excelente estado de conservação
Relatório do 3.º Inventário Florestal da Região Autónoma da Madeira foi apresentado esta tarde
O Relatório do 3.º Inventário Florestal da Região Autónoma da Madeira (IFRAM3) revela que a floresta Laurissilva ocupa 16.440 hectares na Madeira, representando 98% da floresta natural da região e mantendo 100% das parcelas em bom estado fitossanitário.
É na ilha da Madeira que se concentra 99% desta área florestal, enquanto Porto Santo apresenta apenas 419 hectares, predominantemente revestidos de pinheiro-de-alepo.
A floresta natural representa 44% da área total florestal. Esta é uma componente estratégica do património natural insular, caracterizada pela presença dominante da Laurissilva, complementada pela floresta ripícola (2%).
No que concerne aos dados da floresta cultivada, o eucalipto domina amplamente com 52% dos hectares, seguindo-se as acácias e o pinheiro-bravo. As restantes espécies ocupam menores extensões: outras resinosas (1.126 ha), outras folhosas (883 ha) e castanheiro (594 ha).
A análise das parcelas de campo revelou densidades florestais variáveis conforme o tipo de floresta. Por exemplo, a Laurissilva apresenta a maior densidade, com 758 árvores/hectare, seguida do pinheiro-bravo em composição mista dominante (671 árv/ha) e outras folhosas (639 árv/ha). Os eucaliptos apresentam densidades menores: puro com 316 árv/ha e misto dominante com 330 árv/ha. A estrutura dos povoamentos mostra predominância de composições mistas dominantes, exceto nas outras resinosas, onde 88% dos povoamentos são puros.
No que concerne à vitalidade das florestas, os dados apresentados indicam resultados positivos. A Laurissilva e os urzais arbóreos registam 100% das parcelas em estado 'Bom' reflectindo excelente condição fitossanitária. O eucalipto misto dominante atinge 84% em bom estado, com eucalipto puro em 81%.
Todavia, surgem preocupações específicas: o eucalipto puro apresenta 35% de árvores mortas, o pinheiro-bravo puro regista 22% em estado “Mau” e 12% dos eucaliptos mistos dominantes apresentam indícios de deslizamentos de terra.
Uma das inovações do IFRAM3 foi a introdução da análise detalhada da estrutura vertical da vegetação.
Desenvolvido com base em fotografias aéreas de 2018, 2019 e 2023 e trabalho de campo em 2025, o IFRAM3 atualiza dados essenciais sobre uso do solo, estrutura, produção e condição da floresta.
O inventário foi financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência da RAM, no âmbito do projecto 'Digitalizar Florestas 4.0' e do subprojecto de inteligência artificial para apoio ao inventário florestal, e realizado pela VIAMAPA – Serviços de Topografia, S.A.
Foram combinadas metodologias de 'deep learning' e análise manual, incluindo cartografia detalhada das principais espécies cultivadas, como o eucalipto, as acácias e o pinheiro-bravo.
O IFRAM3 consolida informação crucial para a gestão sustentável do património florestal da Madeira, permitindo monitorizar a biodiversidade e planear políticas públicas adaptadas às alterações climáticas.
Coube ao especialista Francisco Castro Rego apresentar os dados, esta tarde, na Casa Museu Frederico de Freitas.
Andreia Correia , 14 Janeiro 2026 - 15:17