Protestos no Irão tornaram-se violentos "para dar uma desculpa" a Trump para intervir
O chefe da diplomacia do Irão, Abbas Araghchi, disse hoje que os protestos em todo o país "tornaram-se violentos e sangrentos para dar uma desculpa" para uma intervenção militar dos Estados Unidos.
A alegação do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano surgiu num encontro com diplomatas estrangeiros em Teerão e foi citada pela emissora Al Jazeera, financiada pelo Qatar, que tem permissão para operar apesar do corte da internet no Irão.
Araghchi não apresentou provas para suportar esta alegação, mas garantiu que "a situação está sob controlo total" em todo o país, numa altura em que ativistas garantem que pelo menos 544 pessoas foram mortas --- a grande maioria manifestantes.
País está há 84 horas sem internet
O corte da Internet decidido na quinta-feira pelas autoridades iranianas, devido aos protestos contra o Governo, continua em vigor, disse hoje a organização não-governamental (ONG) de monitorização da cibersegurança Netblocks.
Os dados mostram que o corte da Internet continua há 84 horas no Irão, escreveu a ONG na rede social X.
Na quinta-feira, as autoridades cortaram a Internet e o sinal de telemóveis em todo o país, na sequência de uma grande manifestação em Teerão e depois de terem sido publicados nas redes sociais vídeos que mostravam uma multidão em protesto.
Filho do xá deposto do Irão apela a forças de segurança para "se unirem ao povo"
O opositor no exílio Reza Pahlavi, filho do antigo xá do Irão, apelou às forças de segurança para que "se unam ao povo", face ao movimento de protesto que já dura há duas semanas.
"Os funcionários das instituições públicas, bem como os membros das forças armadas e de segurança, têm uma escolha a fazer: ficar ao lado do povo e tornarem-se aliados da nação, ou tornarem-se cúmplices dos assassinos do povo --- e carregarem a vergonha e a condenação eternas da nação", escreveu Pahlavi na rede social X.
Dirigindo-se aos cidadãos iranianos "fora do Irão", enfatizou que "todas as embaixadas e consulados iranianos pertencem ao povo iraniano" e pediu que "os adornem com a bandeira nacional do Irão", referindo-se à bandeira utilizada pela antiga monarquia iraniana, derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, em vez da atual bandeira da República Islâmica.
No sábado, em Londres, centenas de pessoas protestaram em frente à embaixada iraniana, e um homem conseguiu subir à varanda do edifício para substituir brevemente a bandeira da República Islâmica pela bandeira da monarquia.
No sábado, Pahlavi já tinha pedido aos manifestantes para "saírem todos às ruas", "com bandeiras, imagens e símbolos patrióticos e a ocuparem os espaços públicos".
"O nosso objetivo já não é apenas sair às ruas; o nosso objetivo é preparar-nos para conquistar e defender os centros urbanos", referiu.
Reza Pahlavi anunciou ainda estar a finalizar os preparativos para regressar ao Irão, quando as circunstâncias forem oportunas: "Também me preparo para regressar à minha pátria e estar convosco, a grande nação do Irão, quando a nossa revolução nacional triunfar. Acredito que esse dia está muito próximo", disse.