Silêncio cúmplice
Sempre aceitámos os Estados Unidos como os polícias do mundo. Pagámos caro essa ilusão. A União Europeia ficou refém - politicamente frágil, economicamente exposta e perigosamente dependente em matéria de segurança.
Trump não criou o problema, mas levou-o ao limite: uma política de terra queimada, errática e irresponsável, perante a qual a Europa se encolhe.
Faltam líderes com coluna vertebral para dizer não, impor limites e assumir as consequências.
O conluio com Putin, a invasão da Venezuela e a irrelevância prática da ONU expõem de forma brutal a falência do sistema internacional e o esvaziamento do direito internacional.
Perante crises graves, a UE hesita, tropeça nas próprias contradições e comunica mal. À opinião pública chega um discurso frouxo e confuso - o retrato de uma Europa que perdeu a voz, o rumo e a coragem.
Carlos Oliveira