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Congresso do PS-M Madeira

“Sem trabalho digno não há justiça social”

Leonilde Cassiano alerta para precariedade e salários baixos na região

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Leonilde Cassiano, presidente da UGT/Madeira e militante do PS, destacou no congresso do PS-Madeira a importância de reforçar a ligação do partido aos trabalhadores e ao movimento sindical. “Sem trabalho digno não há justiça social, sem salários justos não há coesão e sem os trabalhadores não há futuro para a Madeira”, afirmou.

Cassiano elogiou a moção apresentada, reconhecendo o mérito das propostas em áreas como habitação, saúde, educação e combate às desigualdades, mas alertou para lacunas que considera críticas. “Fala-se muito dos efeitos da pobreza e da exclusão, mas fala-se pouco da causa principal: os baixos salários, a precariedade e a desvalorização de quem trabalha”, frisou.

A dirigente sindical sublinhou que, apesar do crescimento económico e dos recordes do turismo, muitos trabalhadores continuam a enfrentar horários longos, contratos precários e pouca perspectiva de futuro. “Uma estratégia de esquerda não pode ter medo de falar de conflitos laborais, de relações de poder no trabalho e de negociação colectiva”, defendeu.

Cassiano criticou também a ausência de referência clara ao movimento sindical na estratégia do partido e a pouca atenção dada a sectores como o turismo e o sector público, onde persistem precariedade, carreiras congeladas e injustiças. Para ela, políticas de inclusão devem ser complementares ao trabalho digno e aos salários justos, não substituí-los.

Quanto aos jovens, destacou a necessidade de garantir “primeiro emprego com direitos, fim aos falsos estágios e valorização do trabalho jovem”, alertando para o risco de continuar a formar mão-de-obra que acaba por emigrar.

“Defender os trabalhadores hoje é também defender a democracia. O populismo cresce onde há injustiça, medo e ressentimento. Só uma esquerda que enfrente estas desigualdades de frente pode recuperar a confiança das pessoas”, concluiu.

Não foi o caso da líder sindical, mas antes desta, vários oradores aproveitaram as intervenções para criticar o JPP, classificando o maior partido da oposição como “populista”.