Irão classifica apreensão de petroleiro venezuelano pelos EUA como "pirataria de Estado"
As autoridades do Irão classificaram hoje a apreensão pelos Estados Unidos da América (EUA) de um navio-petroleiro venezuelano, carregado de combustível, como "pirataria de Estado" e pediram tomada de posição das instituições internacionais.
"A ação da Marinha dos EUA contra um navio comercial que transportava petróleo venezuelano perto da costa da Venezuela é pirataria de Estado", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Baghaei, em comunicado.
O chefe da diplomacia persa frisou que "invocar leis internas dos EUA e sanções ilegais não pode justificar ou alterar a natureza ilegal deste roubo armado no Mar".
Baghai acrescentou que a apreensão de navios mercantes pertencentes a outros países constitui "um desrespeito ao direito internacional e uma violação dos princípios que garantem a segurança da navegação internacional", sublinhando eventuais consequências para a Paz, segurança e comércio internacionais.
Segundo o jornal norte-americano New York Times, o petroleiro Skipper, navegava sob pavilhão falso da Guiana, foi apreendido por ordem de um juiz americano devido a suspeitas anteriores de contrabando de petróleo iraniano, sancionado por Washington.
O Irão, um dos principais aliados da Venezuela, tem denunciado repetidamente a atitude "intimidante", "intervencionista" e "perigosa" da Casa Branca em relação a Caracas nos últimos meses.
Quinta-feira, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusou os EUA de quererem roubar o petróleo da Venezuela, depois das forças armadas norte-americanas terem intercetado e confiscado o referido navio, em águas caribenhas.
Maduro disse ainda que os tripulantes do petroleiro estão desaparecidos e anunciou que irá denunciar o incidente aos organismos internacionais para garantir a segurança de todas as embarcações venezuelanas e o livre-comércio.
Maduro afirmou que o navio transportava 1,9 milhões de barris de petróleo, já pagos, sem especificar qual o comprador, antes de partir da Venezuela.
Na quarta-feira, a Presidência dos Estados Unidos anunciou que o petroleiro será encaminhado para um porto norte-americano para que o crude possa ser apreendido.