Falta-lhes mundo
Que o digam os que tendem substituir a hospitalidade pela hostilidade
“Se é pacífico dizer que o turismo não traz apenas impactos sociais positivos - como qualquer actividade económica, de resto - devia ser incontroverso defender que, até ao momento, eles foram muito maiores e duradouros do que os efeitos contrários. Era nisso que devíamos focar o debate e não em desmerecer aquilo que temos sido bons a fazer”. A convicção foi partilhada na passada semana pelo presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, que num artigo de opinião no JN revela que “a turismofobia à portuguesa é bastante irracional, na medida em que se baseia mais em percepções do que em factos e ignora um conjunto de benefícios que esta actividade trouxe aos centros urbanos das grandes, médias e até pequenas cidades do nosso território”.
A oportuna reflexão, que diagnostica ingratidão e memória curta colectiva, surge num contexto em que qualquer tentativa governativa de melhor fazer uma gestão inteligente e equilibrada dos territórios, de modo a todos acomodar com dignidade e respeito, enfrenta sistematicamente discursos complexados assentes no ‘achismo’ compulsivo, a que se juntam as perigosas campanhas de hostilização dos visitantes, a humilhação preconceituosa dos emigrantes a quem muitos devem e até os inaceitáveis tiques xenófobos partilhados pelos ‘populistas’ que convivem mal com a necessária importação de mão-de-obra, com a diversidade cultural e até com o rejuvenescimento populacional.