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Blinken discorda de Lula sobre ofensiva em Gaza mas boa relação permanece

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O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, disse hoje ter discordado do Presidente brasileiro, Lula da Silva, sobre a comparação entre a ofensiva israelita ao Holocausto, mas garantiu que isso não afetou a boa relação entre eles.

"É óbvio que discordamos profundamente da comparação de Gaza com o Holocausto, mas isso é algo que os amigos fazem", disse Blinken numa conferência de imprensa, reservada a alguns jornalistas, citado na imprensa brasileira, à margem do segundo e último dia de reuniões dos chefes de diplomacia das 20 maiores economias do mundo (G20), na cidade brasileira do Rio de Janeiro.

"Podemos ter diferenças em alguns aspetos e ainda fazer todo o trabalho que fazemos juntos", acrescentou o diplomata brasileiro.

Na quarta-feira, o secretário de Estado reuniu-se com Lula da Silva em Brasília, onde manifestou o seu repúdio pela comparação do Presidente brasileiro, que provocou uma crise diplomática entre Israel e o Brasil.

Blinken, cujo pai adotivo foi um sobrevivente do Holocausto, observou que, apesar do comentário de Lula da Silva, os Estados Unidos e o Brasil concordam com a necessidade de conseguir a libertação dos reféns do Hamas e de um cessar-fogo humanitário em Gaza.

Blinken segue agora para Buenos Aires para se encontrar com o Presidente argentino, Javier Milei.

Num discurso de balanço dos dois dias de reuniões dos chefes de diplomacia do G20 na cidade brasileira do Rio de Janeiro, ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, afirmou ter havido "virtual unanimidade no apoio à solução de dois Estados como sendo a única solução possível para o conflito entre Israel e Palestina".

No seu discurso, onde não especificou a falta de unanimidade, afirmou que um "grande número de países, de todas as regiões, expressou a preocupação com o conflito na Palestina, destacando o risco de alastramento aos países vizinhos".

Ainda sobre esta matéria, disse, vários diplomatas exigiram "a imediata libertação dos reféns em poder do Hamas".

Na sessão de quarta-feira, o primeiro de dois dias de reuniões, as 45 delegações presentes incluindo membros do G20, convidados e organizações internacionais discutiram os atuais conflitos internacionais, nomeadamente em Gaza e na Ucrânia.

"Vários países reiteraram a sua condenação da guerra na Ucrânia, como tem acontecido desde 2022 após o início do conflito", afirmou o ministro brasileiro.

Fazendo um balanço dos dois dias, Mauro Vieira afirmou que os países do G20 concordaram hoje de forma unânime sobre a necessidade de reformar as organizações internacionais, disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil.

Esta questão foi o foco central das discussões no segundo e último dia do encontro que reuniu os chefes da diplomacia das 20 maiores economias do mundo.